PM prende músico por criticar o presidente

PM prende músico por criticar Bolsonaro

Da Redação

O músico Fábio Pagotto denúncia prisão arbitrária pela PM sob denúncia de uma bolsonarista por ele ostentar um adesivo crítico a Bolsonaro. Leia o relato:

“Meus amigos. Fui preso agora à tarde pelo delito de tocar música que ofendeu a bolsonaristas.

Um adesivo fora bolsonaro foi o suficiente para provocar a fúria de uma bolsonarista – ela chamou a polícia militar.

A polícia militar ordenou que parássemos de tocar. Estávamos tocando “Isn’t she lovely” do Stevie Wonder quando os policiais desligaram os equipamentos.

Toco com os olhos fechados e quando abri os olhos um meganha estava na minha frente. Houve uma discussão política – os policiais militares odeiam música e liberdade – e os chamei do que são: Bolsonaristas.

Admitiram. Recebi ameaças físicas, gravei com o celular.

Me disseram que seria levado à delegacia para responder por desacato. Nunca desacatei nada, a não ser a imposição de um padrão de comportamento absolutamente careta e reacionário.

Me recusei a parar de tocar. Ainda mais Stevie Wonder. Um deles me ameaçou de me bater. Várias vezes.

Chamei-o rato de farda. Fui algemado e levado ao 14 DP – fiz live – lá tive meu celular tomado. Apagaram as gravações que continham as ameaças, e todas as fotos de infância do meu filho.

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Não baixei a cabeça, irmãos e irmãs. Não baixei a cabeça. Continua

Fonte: Blog da Cidadania

 

 

Block

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

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