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Pobreza

Pobreza e informalidade aumentaram no Brasil, segundo o IBGE

IBGE: pobreza e informalidade aumentaram no Brasil

Segundo o instituto, no ano passado havia 54,8 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza (2 milhões a mais do que em 2016) e 15,2 milhões na extrema pobreza. Concentração de renda cresceu
por Redação RBA publicado 05/12/2018 11h28
Pobreza
Proporção de crianças e adolescentes (até 14 anos) abaixo da linha de pobreza subiu de 42,9% para 43,4% | AGÊNCIA

São Paulo – O país viu aumentar a pobreza em 2017, já no governo Temer, atingindo 26,5% da população, ou 54,8 milhões de pessoas, 2 milhões a mais do que no ano anterior, segundo o IBGE. E o total de pessoas na extrema pobreza chegou a 15,2 milhões (6,6%), ante 13,5 milhões em 2016 – esse dado considera a linha estabelecida pelo Banco Mundial, incluindo quem tem renda inferior a US$ 1,90 por dia, ou R$ 140 por mês. Esse contingente só não cresceu na região Norte. Já a linha de pobreza do Banco Mundial considera rendimentos de até US$ 5,5 por dia, ou R$ 406 por mês.

As informações, que incluem também crescimento da informalidade no trabalho, constam da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada na manhã desta quarta-feira (5) pelo instituto. “Na ausência de uma linha oficial de pobreza no país, a Síntese de Indicadores Sociais analisou este tema utilizando diferentes medidas que, em sua maioria, mostram o crescimento da pobreza, entre 2016 e 2017”, diz o IBGE.

Na região Nordeste, 44,8% da população – 25,5 milhões de pessoas – estava em situação de pobreza. No Sudeste, o número subiu para 17,4%, atingindo 15,2 milhões. No Sul, eram 3,8 milhões (12,8%).

Ainda segundo o IBGE, a proporção de crianças e adolescentes (até 14 anos) abaixo da linha de pobreza subiu de 42,9% para 43,4%. “Do total de moradores em domicílios em que a pessoa de referência era uma mulher sem cônjuge e com filhos de até 14 anos, 56,9% estavam abaixo dessa linha. Se a responsável pelo domicílio era uma mulher preta ou parda (igualmente sem cônjuge e com filhos no mesmo grupo etário), essa incidência subia para 64,4%.”

A distância média do rendimento dos pobres em relação à linha também aumentou entre 2016 e 2017, de R$ 183 para R$ 187. O instituto calcula o chamado “hiato da pobreza”, um valor que seria necessário para erradicar o problema. No ano passado, seriam necessários R$ 10,2 bilhões mensais, “perfeitamente alocados”, para que as pessoas atingissem a linha de pobreza.

A pesquisa mostra ainda que persiste a concentração de renda no Brasil. Os 10% com maiores rendimentos acumulavam 43,1% da massa total, enquanto os 40% com menores rendimentos tinham apenas 12,3%. O Distrito Federal concentrava a maior desigualdade, com 46,5% e 8,4%, respectivamente.

O rendimento médio mensal per capita domiciliar foi calculado em R$ 1.511, caindo para R$ 984 na região Nordeste e R$ 1.011 no Norte. Ali, quase metade da população (49,9% e 48,1%, respectivamente) tinha rendimento médio de até meio salário mínimo. E menos de 8% possuíam rendimento mensal acima de dois mínimos.

Outro dado mostra que pretos e pardos (classificação usada pelo instituto) predominam entre os mais pobres: 13,6% estavam entre os 10% da população com os menores rendimentos. E só 4,7% deles estavam entre os 10% com maiores rendimentos. Entre os brancos, 5,5% integravam os 10% com menores rendimentos e 16,4% os 10% com maiores rendimentos.

“Nos domicílios cujos responsáveis são mulheres pretas ou pardas sem cônjuge e com filhos até 14 anos, 25,2% dos moradores tinham pelo menos três restrições às dimensões analisadas. Esse é também o grupo com mais restrições à proteção social (46,1%) e à moradia adequada (28,5%)”, aponta o IBGE.

ANOTE AÍ

Fonte: RBA

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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