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Processo de Robinho por estupro avança no Brasil após decisão do STJ

Processo de Robinho por estupro avança no após decisão do STJ

No início deste ano, o governo italiano solicitou a homologação da sentença condenatória, o que viabilizaria a transferência da pena para o Brasil.

Por Mídia Ninja/Redação

No dia 16 de agosto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou um pedido apresentado pela defesa do ex-jogador de futebol Robinho. A solicitação buscava a obtenção da íntegra do processo no qual o jogador foi condenado a nove anos de prisão por um caso de estupro na Itália. Com essa decisão, o caminho fica aberto para que o processo prossiga, permitindo a possível execução da pena em solo brasileiro.

O caso remonta ao julgamento em que Robinho, junto com outros cinco indivíduos, foi considerado culpado pelo estupro de uma mulher albanesa em uma boate em Milão, no ano de 2013, enquanto era jogador do Milan.

No início deste ano, o governo italiano solicitou a homologação da sentença condenatória, o que viabilizaria a transferência da pena para o Brasil. No entanto, a defesa de Robinho buscou uma cópia completa e traduzida do processo italiano, ação que poderia atrasar o andamento do caso e postergar a possível execução da pena.

O ministro relator do caso, Francisco Falcão, indeferiu inicialmente o pedido de cópia do processo, argumentando que a defesa do jogador acompanhou de perto todo o trâmite judicial na Itália. A defesa apelou e o tema foi levado à Corte Especial do STJ, formada pelos 15 ministros mais antigos do tribunal. Falcão reforçou que o ato homologatório avalia aspectos formais e não entra no mérito da questão, que não é de competência do STJ.

*Com informações do G1

Fonte: Mídia Ninja. Foto: Claudio Pozo/Flickr.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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