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Quem é Átila Iamarino?

Quem é Átila Iamarino?

Em menos de 24h, Roda Viva com Atila Iamarino bate 1 milhão de visualizações no YouTube

Edição com o biólogo e pesquisador falou sobre o avanço do Covid-19 no Brasil e no mundo

Por Roda Viva

A entrevista do biólogo Átila Iamarino no programa Roda Viva, da TV Cultura, de São Paulo, na noite de segunda-feira, continua repercutindo. Umas das vozes no Brasil mais ponderadas e didáticas nesta crise causada pela pandemia de COVID-19, ele reafirmou o que vem dizendo em vídeos na internet que já foram vistos por mais de 5 milhões de pessoas: “Não quero dizer que o mundo que a gente vivia nunca mais vai voltar, mas não é para ele que vamos voltar. Vai ser diferente, talvez mais unido”.

Formado pela USP, onde fez doutorado em microbiologia, e com pós-doutorado em Yale (EUA), o biólogo foi um dos primeiros a prever a morte de até 1 milhão de brasileiros, caso as medidas de isolamento social suspensão de atividades não fossem aplicadas. Para isso, se embasou em estudo do Imperial College de Londres.

Como quase a totalidade das autoridades de saúde, Átila defende o isolamento social como forma mais eficaz para conter a disseminação do novo coronavírus, mesmo que isso seja sacrificante para muitos. “Ainda vamos demorar muito para circular pelas ruas e nunca mais o faremos como antes. Enquanto não existirem testes e vacina contra coronavírus, certamente usaremos máscaras. Isso só não é feito hoje porque não há máscaras suficientes disponíveis (e a prioridade é para profissionais de saúde), e não porque não deveríamos usá-las”, disse. “Está provado que as cidades onde sempre se usou máscaras se recuperaram mais rapidamente”.
 
Átila criticou o chamado isolamento vertical proposto pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que só atinge pessoas dos grupos considerados de risco, como aqueles acima de 60 anos. Segundo ele, não há base científica nem mesmo para se começar uma discussão nesse sentido e, quando houver, é algo que “precisa ser testado. Aí, sim, podemos falar a respeito”.
 
Como tudo nos último anos no Brasil, a questão de saúde pública também ganhou contornos políticos. O biólogo, porém, procurou evitar a polarização e destacou que o importante é que todos unam esforços para minimizar riscos e poupar vidas durante a pandemia.
 
“A gente depende das ações que estão sendo tomadas. Os estados todos pararam a circulação, colocaram as pessoas em quarentena, restringiram o comércio. Eu sinto que a gente está em um momento em que a casa está pegando fogo, a gente quer tirar todo mundo de casa para não perder ninguém e não importa quem acendeu o fogo, se o bombeiro é de direita ou de esquerda. Estão tomando ações para fazer isso? Está ótimo. Se estiver atrapalhando o que os estados estão fazendo, está atrapalhando o que o mundo inteiro está fazendo”, afirmou.
 
Ele ressalta ainda que apenas um país, a Belarus, não adotou medidas para tentar conter o novo coronavírus. E defende que o investimento em ciência volte a todo vapor no Brasil. “O Brasil está parado numa fase de não investir na ciência nacional. Isso não é uma coisa de agora. É uma coisa que vem de longa data. Nós temos pessoas que estão preparadas para fazer testes, mas que descobriram recentemente que tiveram suas bolsas científicas cortadas”, disse ele, referindo-se a um amigo pesquisador.

Repercussão

As declarações de Átila repercutiram bastante nas redes sociais, com a entrevista sendo um dos assuntos mais comentados do Twitter na manhã desta terça-feira (31). Até quem é apoiador incondicional do presidente Jair Bolsonaro elogiou a postura do biólogo.
 
 
“Muito boa e esclarecedora a entrevista no Roda Vida”, publicou o apresentador Ratinho, do SBT. ”Isso aponta que vamos ter de rever muitas coisas daqui para frente, atitudes e comportamentos”.
 


 
 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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