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Reflexões fundamentais para este Dia da Terra

Reflexões fundamentais para este Dia da Terra

Junior Garcia/O Eco

O Dia da Terra  é celebrado todo dia 22 abril desde 1970. A data marca o início do movimento ambiental no mundo. Em 2020, comemora-se em mais de 190 países o 50º Dia da Terra. A cada ano adota-se um tema para orientar as ações realizadas no Dia da Terra. Este ano o tema é Ação Climática. Isso porque as mudanças climáticas têm colocado enormes desafios para a sociedade, ameaçando a relativa estabilidade de nosso sistema social e econômico.

Ao longo deste período (1970-2020) a sociedade vivenciou profundas mudanças ecológicas, sociais, políticas e econômicas. Apesar do avanço nas discussões e nos instrumentos de gestão ambiental, com destaque para a institucionalização do Paradigma do Desenvolvimento Sustentável em 1992, ainda permanece a tendência de degradação da qualidade ambiental. Os dados a seguir ilustram esta situação.

Em 1970, a população mundial era de 3,7 bilhões de pessoas; 63% da população estava na área rural; Produto Interno Bruto (PIB) US$ 19 trilhões em valores constantes de 2010; PIB per capita US$ 5,2 mil (World Bank Data, 2020); área agrícola 1,1 bilhão de hectares (FAOSTAT, 2020); a sociedade usava o equivalente a 1 Planeta Terra em termos da Pegada Ecológica (Global Footprint Network, 2020).

Em 2018, a população mundial era de 7,6 bilhões de pessoas; 44,7% da população estava na área rural; Produto Interno Bruto (PIB) US$ 82,7 trilhões em valores constantes de 2010; PIB per capita US$ 10,9 mil (World Bank Data, 2020); área agrícola 1,3 bilhão de hectares (FAOSTAT, 2020); mais de 30% das florestas tropicais foram degradadas; a sociedade usa mais de 40% da área agricultável (The Great Acceleration, 2020); a sociedade usava o equivalente a 1,7 Planeta Terra em termos da Pegada Ecológica (2016) (Global Footprint Network, 2020).

“Os ecossistemas não precisam das pessoas e muito menos da Economia. Na verdade, sem os ecossistemas não existe Economia.”

Apesar de todo o avanço tecnológico, econômico e social, dados do Banco Mundial (World Bank) mostram que 811,7 milhões de pessoas estavam em situação desnutrição no mundo em 2017, enquanto 39% dos adultos sofrem de sobrepeso. Sem contar que as emissões totais de CO2 equivalente saltaram de 27,6 bilhões de toneladas em 1970 para 53,5 bilhões em 2012 (World Bank Data, 2020). Nem mesmo as emissões de CO2 per capita apresentaram redução, saltaram de 4 toneladas para 5 toneladas entre 1970 e 2018 (World Bank Data, 2020). Por fim, os dados do IPCC (International Panel on Climate Change) indicam que persiste a tendência de aumento da temperatura média global.

Observa-se que o crescimento econômico (do PIB), portanto, foi acompanhado por um intenso processo de degradação ambiental e de uso dos recursos naturais.

A sociedade se depara com um conjunto de desafios ambientais e sociais em escala planetária, que engloba desde a perda de biodiversidade, degradação do solo, da água e do ar, mudanças climáticas, ocorrência de eventos climáticos extremos e à poluição plástica, até a pobreza e a desigualdade, além da recente pandemia de COVID-19 que assola vários países. O enfrentamento destes desafios exige o engajamento de todas as pessoas, para muito além do papel exclusivo e fundamental do Estado (e do governo).

E de maneira irônica, enquanto estamos em situação de isolamento social ou de quarentena em vários países neste Dia da Terra, as demais espécies vivas, que compartilham o meio ambiente conosco, estão aproveitando uma pequena melhora na qualidade ambiental, um mundo sem humanos. A redução da circulação de pessoas, da produção de bens e serviços e de outras atividades tem proporcionado uma redução na geração de poluição e no ritmo de uso dos recursos naturais. Estima-se que o consumo de petróleo tenha sofrido uma redução de 30% (International Energy Agency, 2020).

Esta situação única na história recente deveria incentivar uma profunda reflexão sobre a dependência de nosso sistema social e econômico do meio ambiente. Os ecossistemas não precisam das pessoas e muito menos da Economia. Na verdade, sem os ecossistemas não existe Economia. Enfim, parece que este dia 22 de abril de 2020 é, realmente, o Dia da Terra!

Fonte: O Eco


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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