Santo dos Anjos Domingos Montagner

Santo dos Anjos Domingos Montagner

Santo dos Anjos Domingos Montagner

Domingos Montagner se foi
E deixou muita saudade
Em Canindé de São Francisco
Nas águas da adversidade
Nova planta da caatinga
Brotará luz santidade

1962
O ano de nascimento
Foi-se aos 54
Um artista de talento
Um vate da criação
Transmutou o sentimento

Nascido na Pauliceia
O gen de Tatuapé
A cultura brasileira
Germinou em sua fé
Nas águas do São Francisco
Santificou o Canindé

Tinha o circo em sua alma
Foi palhaço e grande ator
A cidade de São Paulo
O berço do criador
Místico por natureza
Santo dos Anjos em flor

Em 1997
O grupo La Mínima formou
Joia Rara, Sete Vidas
Como Miguel atuou
Fez arte de qualidade
Sempre protagonizou

Teatrólogo, empresário
Do Circo Zanni, diretor
No Cordel Encantado
Ser brilhante como ator
Foi Capitão Herculano
Virgulino inovador

Luciana Lima, a companheira
Teve boa devoção
Três filhos do artista
Seguem na evolução
Foi-se o pai, fica a mãe
E o amor no coração

Teatros, circos, prêmios
Artista reconhecido
Curso com Myriam Muniz
Foi um ator destemido
Rumo à eternidade
Bem visto, lido e ouvido

Vai-se o homem fica a fama
De um ator sensacional
Do time de José Wilker
Com talento especial
No teatro e em novela
É nome primordial

CONTINUA DEPOIS DO ANÚNCIO

Prêmio Shell de Melhor Ator
Com destaque na carreira
Com Fernando Sampaio
Esteve na dianteira
O Brasil chora seu filho
Nessa hora derradeira

Gonzaga: De Pai pra Filho
Filme de Breno Silveira
Ganhou notoriedade
Com sua verve altaneira
Foi Santo em Velho Chico
Na caatinga brasileira

Força Tarefa, Divã, Salve, Jorge
A Cura, O Brado Retumbante
Em Divã, foi Carlos
De Mercedes foi amante
Com a atriz Lília Cabral
Em um papel fulgurante

Em Mothern foi João
Em Divã, Carlos Alencar
Herculano no Cordel
Espinosa a policiar
Como Coronel Raimundo
Suas ordens soube dar

Tarja Branca: A Revolução que Faltava
Um Namorado Para Minha Mulher
A Noite dos Palhaços Mudos
Na boa arte a dispuser
Paredes Nuas; A Grande Vitória
Bons filmes com Montagner

Através da Sombra, O Rei das Manhãs
De Onde eu te Vejo; Vidas Partidas
Pelo circo em muitas praças
Teatros, ruas, avenidas
Palhaço, Corvo, Cangaço
Artista de Sete Vidas

À La Carte, Mistero Buffo
Feia – Uma comédia circense
Piratas do Tietê, O Filme
Do artista tatuapense
Reprise de um mestre ator
Viver é grande non sense

Vários Prêmios Conquistou
Quem e Extra de Televisão
Melhor do Ano como ator
Melhor Ator Revelação
Troféu APCA, Prêmio Contigo
Viveu a consagração

A vida imita a arte
Sonho, desejo, paixão
Na novela teve a morte
Depois a ressureição
Metamorfose do ser
Que navega na amplidão

Uma forte correnteza
Tirou a vida do ator
Mas a vida continua
Renasce em forma de flor
Vamos plantar harmonia
Pra gente colher amor

Cordel publicado originalmente na página do poeta e escritor Gustavo Dourado no Facebook: Gustavo Dourado

https://xapuri.info/dia-dos-animais-tire-um-bicho-do-seu-prato/

Block

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora