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Seriema cantando cedo é sinal de dia quente na Caatinga

Seriema cantando cedo é sinal de dia quente na

A seriema (Cariama cristata L.), também conhecida em alguns estados do Nordeste brasileiro como sariema, é uma ave da família Cariamidae que mede próximo a um metro de altura, com ocorrência em amplo território nacional, exceto nas áreas com vegetação densa da . Fora do é comum em regiões da América do Sul como Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina.

Por Eduardo Henrique

A alimentação desta ave baseia-se em insetos, roedores, ovos de outras aves e pequenos répteis, incluindo pequenas serpentes. Pode ser vista solitária, em casal ou pequeno grupo. Seu ninho é construído em árvores de 4 a 5 metros, onde são colocados dois ovos que são chocados em alternância entre o macho e a fêmea, por aproximadamente um mês.

A plumagem com diferentes tons de cinza permite à seriema uma perfeita camuflagem na vegetação da Caatinga, caracterizada pelos caules acinzentados, principalmente no período seco, quando quase todas as plantas se encontram sem folhas. Dessa forma, fica fácil passar despercebida aos olhos dos predadores. Além disso, trata-se de uma ave muito habilidosa; quando perseguida, pode atingir até 70 km/h antes de levantar voo.

Entretanto, a característica mais marcante desta ave é o canto que se assemelha muito a uma risada, podendo ser ouvido a mais de um quilômetro. Essa sonorização é correlacionada através do conhecimento popular aos fenômenos meteorológicos, alimentando a crença de que, por exemplo, quando cantam no início da manhã é indicativo de dia muito quente ou, até mesmo, em outras ocasiões, seu canto pode ser interpretado como um sinal da chegada das chuvas.

No final da tarde, próximo ao anoitecer, as seriemas se deslocam para os locais de dormida que foram cuidadosamente selecionados, geralmente árvores de porte médio, secas ou com pouca folhagem, onde permanecem até o Sol nascer novamente.

Esta matéria resulta, com texto e foto de Eduardo Henrique, é uma parceria da com a página no Facebook.


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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