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Sobre Jefferson e Milícias: Um falastrão não merece resposta

Sobre Jefferson e Milícias: Um falastrão não merece resposta

“Hoje, se puxarmos o fio condutor veremos que a figura que sempre se expõem de forma irresponsável causa danos a democracia e demonstra sem pudor que é capaz de qualquer pastelão para ter espaço no imaginário popular.”

Por Fernando Neto 

A política é um mundo à parte, seus bastidores acontecem fatos e histórias ou estórias que deixaria perplexo o melhor leitor de Aghata Christie. Nem sempre as histórias são reproduzidas fidedignamente aos fatos ocorridos, para ser honesto quase nada é fidedigno entre figuras que almejam o elixir da vida (poder).

Não é diferente no Brasil, não é diferente no nosso quintal, histórias sobre o período da colonização ainda se descobre até hoje, assim como as dúvidas e os mistérios da proclamação da República, os fatos entorno do suicídio de Getúlio Vargas, a cassada contra Juscelino Kubschek, o golpe de 64, as torturas e mortes que ocorreram durante a ditadura militar, os segredos do pacto pela redemocratização, impeachment do Collor, o mensalão durante o governo Lula.

Neste último caso são tantas controvérsias processuais, informações, versões, capas de jornais, só o tempo cura, absolve e reposiciona todas as coisas, mas nem sempre o tempo é amigo, pelo contrário, o tempo é ingrato, alguns tem a sorte de serem absolvidos em vida, alguns passam a vida inteira lutando e não recuperam o tempo perdido.

Exemplo disso é o ilustre Deputado Ibsen Pinheiro, acusado de corrupção e cassado em 1994, era Presidente da Câmara, anos depois absolvido, demonstrado que ele não era culpado, pelo contrário, hoje porém a sociedade não faz a mínima ideia de quem seja, ficou na memória como mais um, e sofreu com perseguição, julgamentos populares e da imprensa, jamais terá sua biografia resgatada, morreu vítima do tempo e de sua insignificância.

O mais polêmico e controverso personagem da história recente da nossa democracia é José Dirceu, este luta incansavelmente contra o tempo e contra o julgamento sumário, desde sempre o “Zé” lutou por julgamentos justos e a altura de seus feitos, desde a ditadura militar quando foi preso e encarcerado sem julgamento por ato direto da política e do comando militar até o mensalão, acusado de chefe de quadrilha, depois absolvido pelo próprio Supremo por formação de quadrilha o condenando por corrupção, assim como fez a Câmara dos Deputados quando julgou seu mandato e o cassou, porém a mesma casa condenou Roberto Jefferson por não conseguir provar a corrupção que cunhou como um brilhante golpe de publicidade acertado, e também foi condenado pelo supremo pela corrupção que assumiu ter cometido e por não ter comprovado a corrupção que denunciou aos jornais.

Roberto Jefferson é figura patética, tacanho, um personagem folclórico da política sem grandes feitos. Selou fileiras ao lado de Fernando Collor durante o processo de impeachment e vendeu a ilusão ao ex-Presidente que teria maioria no congresso para barrar o que virou fato histórico, sobreviveu politicamente durante todo o governo Fernando Henrique Cardoso com suas negociatas e se arvorou alçar voos maiores durante o Governo Lula, buscando papel de destaque, que não tinha e não teve, mas se escorava em seus pares, como José Múcio, Walfrido Mares Guia, ambos Ministros com papeis importantes no Governo, para o falastrão Roberto Jefferson sobravam migalhas, papel pequeno para alguém tão vaidoso.

A história é implacável, estamos no momento mais tenso pós redemocratização, quem ressurge palpiteiro e oportunista para alçar seus voos galinhosos? O próprio, falastrão e alcoviteiro de sempre, figura menor que telejornais e editorias gostam de explorar pela publicidade e audiência, afinal de contas vende mais morte que vida no Brasil.

José Dirceu se tornou alvo do parlapatão, associado a família Bolsonaro tenta ser alguém ou simplesmente sobreviver ao esquecimento, não luta por absolvição ou inocência, ele sabe que não será absolvido por não ser inocente, mas nos dá a oportunidade de revisitarmos o mensalão e entendermos em parte o que significou todo aquele imbróglio que começou nele.

Hoje, se puxarmos o fio condutor veremos que a figura que sempre se expõem de forma irresponsável causa danos a democracia e demonstra sem pudor que é capaz de qualquer pastelão para ter espaço no imaginário popular.

Ao Zé Dirceu cabe a absolvição dos fatos, sempre esteve acima desses personagens, dialoga em alto nível e se posiciona na história em defesa dos seus, não tem porque responder ataques de figuras pequenas. A cada mostra de estupidez de Roberto Jefferson e quadrilha, fica mais nítido o quão suspeito foi o mensalão.

[authorbox authorid=”” title=”Sobre o Autor”]

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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