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Tainha assada na taquara: delícia da culinária gaúcha

Tainha assada na taquara: delícia da culinária gaúcha

Tainha assada na taquara: Delícia da culinária gaúcha 

A tainha na taquara é um prato típico do Rio Grande do Sul, sendo mais popular no litoral sul e na região do lago Guaíba e suas ilhas, como a Ilha da Pintada. O prato constitui-se de uma tainha – ou anchova – assada sobre a lenha em brasa, presa a um espeto feito de bambu-taquara. Também é o prato típico mais vendido durante a Festa do Mar, realizada de dois em dois anos na cidade de Rio Grande. Confira a receita.

Ingredientes:
1 tainha média
sal a gosto
1 cabeça de alho
2 limões
azeite de oliva
pimenta dedo-de-moça sem sementes
2 colheres de sopa de
manteiga

Materiais:
1 taquara verde de bambú-açú com três gomos (para colocar a tainha na churrasqueira para assar, vai ser nossa grelha natural)
1 pedaço de arame de mais ou menos 1 e 1/2 metros

Modo de preparo:
Temperar de véspera a tainha limpa e inteira com sal, alho, limão e a pimenta, moqueando a tainha e esfregando todos os temperos nela. Derreter a manteiga e reservar. Pegar o bambu, lavar bem e desfiá-lo em tiras uniformes de mais ou menos 1 cm de largura deixando apenas o primeiro gomo sem desfiar (que vai servir de cabo da nossa grelha natural). Untar com o azeite a grelha natural, por dentro e por fora. Churrasqueira acessa, enfiar a tainha com a cabeça dela para o lado do último gomo que estará sem desfiar, e fechá-la com o arame. Levar à brasa numa distância de mais ou menos 50 cm por mais ou menos 15 minutos.
Acompanha, arroz branco e um bom vinho Sauvignon Blanc seco.

Foto: revistasaboresdosul.com.br


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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