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Triplex: Há um inocente preso e isolado dos seus

O triplex não existe como está no processo. O triplex não é do Lula. A pena é arbitrária e injusta. E há um inocente preso, isolado dos seus

O caso do tríplex, que dizem ser de Lula, com a prisão e confinamento do presidente, saiu da esfera do razoável e entrou para a contabilidade das tragédias.

Por Frei Sérgio Antônio Görgen,  no Brasil de Fato 

Tragédia já começa com o nome: tríplex. Dá a ideia de algo grande, suntuoso, luxuoso, coisa de rico, inadequado para um peão de chão de fábrica, mesmo tendo sido presidente. É a força do símbolo. Mexe com o inconsciente coletivo e manipula o senso comum. Usou-se um nome pomposo com o objetivo de impressionar e enganar. No caso, o tal tríplex que dizem ser do Lula, são três pequenas casas uma em cima da outra. Porque são três andares, apelidaram “tríplex”.

O filósofo grego Sócrates, quando envolto em um cipoal de acusações mentirosas e levado a julgamento em praça pública, disse na hora de sua defesa: “é difícil em tempo curto desfazer grandes mentiras”.

Assim, o tempo, muitas vezes, é um dos maiores inimigos da verdade. Quando a verdade sobressai, “tudo já está consumado”, a injustiça feita, os túmulos lacrados e da tragédia sobram as lições e os bustos dos heróis injustiçados.

O desafio destes tempos trágicos e de comunicação rápida é encurtar o tempo de desfazer mentiras. Lula foi condenado e trancafiado numa cela solitária, proibido de receber amigos – eis o conteúdo da tragédia – por ter recebido como pagamento de propina um tríplex que não existe. E se o tríplex não existe, extingue-se a propina. A pena é arbitrária e injusta. E há um inocente preso e isolado dos seus.

Vejam então o que escreveu o juiz Moro na sentença condenatória sobre o tríplex e as reformas ali operadas pela empresa que teria pago a propina:

“381. Os custos da reforma atingiram R$ 1.104.702,00 e incluíram a instalação de elevador privativo no apartamento triplex, cozinhas, armários, readequação de dormitórios, retirada da sauna, ampliação do deck da piscina e até compra de eletrodomésticos.

385. Ali se encontram a Nota Fiscal 423, no valor de R$ 400.000,00, emitida em 08/07/2014, a Nota Fiscal 448, no valor de R$ 54.000,000, emitida em 18/08/2014, a Nota Fiscal 508, no valor de R$ 323.189,13, emitida em 18/11/2014. Todas elas foram emitidas contra a OAS Empreendimentos e têm por objeto “execução de obra de construção civil, localizada no endereço Rua General Monteiro de Barros, 638, Vila Luiz Antônio, Guarujá, SP”. Total de cerca de R$ 777.189,00.

386. Também ali encontram-se planta para reforço metálico do térreo do apartamento triplex, cobertura, no Edifício Mar Cantábrico, a Nota Fiscal 8542 emitida, em 15/09/2014, pela GMV Latino America Elevadores contra a Tallento, no valor de R$ 798,00, relativamente à venda de óleo para elevador, a Nota Fiscal 8545, emitida, em 16/09/2014, pela GMV Latino America Elevadores contra a Tallento, no valor de R$ 47.702,00, relativamente à venda de elevador, a Nota Fiscal 103, emitida, em 20/10/2014, pela TNG Elevadores contra a Tallento, no valor de R$ 21.200,00, relativamente a serviços de instalação de elevador, com três paradas, na “obra solaris, Guarujá”. Esses serviços e obras contratadas pela Tallento foram incluídos nos preços cobrados desta para a OAS Empreendimentos.

389. Além da reforma realizada pela Tallento Construtora no apartamento 164-A, a OAS Empreendimentos contratou a Kitchens Cozinhas e Decorações para a colocação de armários e móveis na cozinha, churrasqueira, área de serviços e banheiro, no montante de R$ 320.000,00.”

As fotos e filmagens, feitas pela UOL e militantes do MTST, demonstram que tudo isto é a mais descarada mentira.  O elevador “privativo”, “com três paradas” não existe, a reforma não foi feita, cozinha gourmet é uma fantasia, não há móveis de luxo, não há decorações, a piscina é uma banheira, não há eletrodomésticos.

Imaginem, R$ 320.000,00 para instalar o que se demonstrou que não existe. Deve ter é outra corrupção grave a ser investigada por aí. Cheiro de prova fabricada, fumaça de fraude processual, indícios de erro jurídico grave. Há que se investigar imediatamente.

Caso se adotasse a teoria do “domínio do fato” ou a teoria das “provas indiciária”, aplicadas contra Lula, com esta descrição constante na sentença, comparada com as fotos do tríplex realmente existente, a lava jato estaria demolida.

Porém, o que temos é o inverso. Um brasileiro inocente, preso e humilhado, com todos os recursos judiciais negados.  Restará a Moro e aos três do Quatro de Porto Alegre três saídas:

1º – Provar que as imagens mostradas ao mundo são de outro apartamento e não do que o Presidente é acusado de ter recebido. O apartamentinho mostrado nas fotos, Dona Marisa pagou, e, se quisesse, poderia ter sido dela.

2º – Reconhecer o trágico erro, anular a sentença e libertar o Lula para ser candidato a presidente do Brasil.

º – Moro, Gebran, Paulsen e Laus, com Fachin, Barroso, Carmem Lúcia, e outros que façam por merecer, abrirem a cadeia de Curitiba, num processo de rebelião popular, libertarem o Presidente e lá entrarem para permanecer por 12 anos e um mês, para respeitar a lei da reciprocidade.

E a cadeia de Curitiba, se a parte decente do Judiciário – acredita-se que exista – não despertar a tempo e interromper a pataquada, se transformará na Bastilha brasileira, com desfecho semelhante.

Matéria original: https://www.brasildefato.com.br/2018/04/25/artigo-or-a-tragedia-do-triplex/

Frei Sérgio Antônio Görgen, é da ordem franciscana Ordem dos Frades Menores e ex-deputado estadual do Rio Grande do Sul.  Edição: Juca Guimarães.  Título original editado pela Xapuri.


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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