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Trump, o homem-bomba, cria a guerra

Trump, o homem-bomba, cria a guerra

O espírito belicoso acompanha a história americana desde que os Estados Unidos surgiram no século 18. Nenhum país usou tão intensamente a força militar em todos os cantos do mundo. A razão mais alegada sempre foi a defesa da democracia. Na verdade, razões geopolíticas eram determinantes. Tratava-se de aumentar a influência imperialista americana e atender sua indústria armamentista, sedenta por usar armas, produzir armas, vender armas.

Por Haroldo Lima,  no Portal Vermelho

O ataque dos Estados Unidos, da Inglaterra e França à Síria leva a ameaça de guerra no mundo a novo patamar

Estudos dão conta de que somente depois da 2ª Guerra Mundial os americanos fizeram ou participaram de 201 guerras, uma média de três guerras por ano durante 70 anos ininterruptos. Átila, Rei dos Hunos, o Flagelo de Deus, ficaria envergonhado com suas duas décadas de guerras.

Essas guerras voltam-se contra Nações mais fracas, povos desarmados ou com armamento débil. Através delas, os Estados Unidos anexaram territórios mexicanos como Texas e Califórnia.

Desembarcaram tropas inúmeras vezes na América Latina, na Argentina, Chile, Haiti, Nicarágua, Panamá, Cuba, Porto Rico, Honduras, República Dominicana, Guatemala, El Salvador, Venezuela, Bolívia, Colômbia, sendo que em alguns destes países suas tropas estiveram presentes por diversas vezes.

No Brasil, em 1964, os Estados Unidos trouxeram o porta-aviões Forrestal, de propulsão nuclear, e muitas belonaves, para a costa. Se houvesse resistência, desembarcariam.

Invadiram a China diversas vezes, quando a China era fraca. E estiveram em outros países da Ásia, Oriente Médio e África. São rápidos no gatilho, desembarcam seus “boinas verdes” sem demora.

Aliás, demora mesmo eles só tiveram quando tinham pela frente uma máquina de guerra poderosa, a da Alemanha nazista, que ameaçava ocupar o mundo. Aí os Estados Unidos foram lentos, adiando entrar na guerra, e só o fazendo quando os nazistas foram derrotados pelo Exército Vermelho, em Stalingrado, em 1943. Aí eles desembarcaram na Normandia, em 1944.

O ato de força criminoso americano ocorrido mais recentemente foi o da guerra do Iraque. O presidente George W. Bush ocupou o noticiário internacional para dizer que tinha informações absolutamente fidedignas dos enormes depósitos de “armas de destruição em massa” do Iraque, o que era inaceitável para os Estados Unidos. Disso veio a Guerra do Iraque de 2003, com tropas americanas destruindo o Estado iraquiano, e por lá ficando por oito anos, enquanto tomava os ricos campos de petróleo iraquianos. Com as lutas intestinas que se seguiram, calcula-se que a aventura americana no Iraque, baseado numa mentira cínica, custou um milhão de mortos.

Mesmo quando o chefe de Estado americano não é um belicista militante, ainda assim a máquina de guerra estadunidense sobrepõe-se, e obriga o presidente a “cumprir seu papel”, fazendo guerra, como aconteceu com Barack Obama, que comandou a invasão da Líbia, a morte do chefe de Estado Muammar el Kadafi e a destruição do Estado líbio.

Quando à frente do Estado americano está uma pessoa tida por muitos de seus compatriotas como “tresloucado”, de sanidade mental discutível, então o espírito belicoso americano voa resplandecente irradiando ameaças de hecatombes aos povos perplexos do mundo inteiro. É o caso do atual presidente Donald Trump.

Essa figura peculiar de biliardário sem escrúpulos e amoral já tomou posse procurando guerra.
A crise crônica da península coreana estava sendo administrada mal ou bem, quando ele passa a ameaçar de “destruição total” a Coréia do Norte e a fazer provocações grosseiras e constantes.

Talvez não esperasse ter pela frente um chefe de Estado que respondia à altura, Kim jo-Un, que o chamava de “cachorro louco”, e sobretudo intensificava planos de defesa. Até que a Coréia do Norte se impôs com potência nuclear, a partir do que fez monumental gesto diplomático com a Coréia do Sul, abrindo negociações e deixando o lunático presidente americano frustrado. Afinal, um problema iria ser resolvido sem guerra.

Desapontado com uma guerra que lhe escapou entre as mãos, o desnorteado presidente americano sai atrás de outra.

A Síria já estava em sua linha de fogo. Os levantes da chamada Primavera Árabe, em 2011, também por lá ocorreram, e conflitos envolviam questões políticas e religiosas. Grupos estrangeiros começaram a tomar partido nas disputas e formam-se “rebeldes” armados, apoiados pelos Estados Unidos, Turquia e Arábia Saudita, que buscavam derrubar o presidente Bashar al Assad, por sua vez apoiado pela Rússia, que tinha bases militares na Síria, e pelo Irã.

Tudo se transformou em uma guerra civil prolongada, em que o povo sírio tem pago um preço exorbitante, com cerca de 400 mil mortes, 5,6 milhões de pessoas que deixaram suas casas e estão espalhados pelo país, 6,1 milhões que engrossaram o enorme caudal dos “refugiados” que perambulam por países vizinhos, muitas vezes enxotados.

Com a ajuda americana, os rebeldes chegaram a ter grande presença no território sírio. O governo central, com o apoio russo e iraniano e demonstrando respaldo popular, desencadeou uma ofensiva que terminou levando à reconquista de quase todo o território que estivera com os “rebeldes”. O presidente Bashar al Assad fortaleceu-se. Nessas condições, não tinha porque, já antevendo a vitória, criar um caso internacional desfechando um ataque químico contra seu próprio povo. Mas sua força crescente deu o motivo para o Trump criar um pretexto para entrar na guerra.

Montou-se a farsa de um ataque químico não reconhecido como tal por ninguém de responsabilidade. Como a ONU.

O Conselho de Segurança desse órgão, reunido para tratar do assunto não chancela a ideia do ataque químico e através de seu secretário-geral, António Guterres, recomenda tratar a questão por meios políticos. Vinte e quatro horas após tal recomendação, o enraivecido Trump considera-se ameaçado e vai à guerra que tanto procurava.

O ataque dos Estados Unidos, da Inglaterra e França à Síria leva a ameaça de guerra no mundo a novo patamar. Os povos e as Nações independentes devem se unir para reprovar a iniciativa americana e exigir que pare com suas provocações. A exortação do Secretário-geral da ONU de crítica a ação unilateral deve ser respaldada: “Existe uma obrigação, particularmente quando se trata de questões de paz e segurança, de agir de forma consistente com a Carta das Nações Unidas e com o direito internacional em geral”. Pela Paz.

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ANOTE AÍ: 

Haroldo Lima é membro da Comissão Política Nacional do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil

Matéria original: http://www.vermelho.org.br/noticia/310022-1

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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