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Uma carta indignada de um professor para Ciro Gomes

Uma carta indignada de um professor para Ciro Gomes

Vi que você tá radicalizando nas palavras depois dos tiros que o seu irmão levou. Logo você, que dá entrevista quase todos os dias se dizendo acima da polarização, criticando fortemente o PT e os petistas por fazerem parte do outro extremo que dividiu o país.

Por Bernardo Mendes 

Tá doendo, né? A gente sabe. A gente sabe também que você não teria ido a Paris hoje e deixado seu irmão pra trás como fez no passado. Pois foi exatamente esse o sentimento de todos quando você virou as costas pros problemas dos menos favorecidos e se achou digno demais pra participar dessa guerra suja.

Eu também lembro quando você chamou Bolsonaro de ‘ilustre colega’ no debate. Ilustre colega! Taí uma certeza que todos temos: essas não seriam suas palavras hoje. Esses tiros que o seu irmão levou, saiba, as pessoas negras e pobres desse país levam todos os dias. Foram elas que você esqueceu enquanto esteve aí, com as mãos limpas.

Quando eu for assistir a seus vídeos, posso apostar que não verei mais aquele tom lacrador e aquele personagem preocupado em parecer ‘more presidential’, pra usar as suas palavras, personagem esse que você sustentou até ontem. Seu tom está em outro patamar agora, eu posso perceber. Você quer guerra também.

Lembra quando seu irmão disse que o Lula estava preso e que nós éramos todos babacas? A gente quase já esqueceu aquilo, ainda que tenha sido uma bela surfada na onda antipetista, no que você faz de melhor, esse fisiologismo ’em nome de um bem maior’, mas que tem muito de querer parecer mais sensato do que o resto das pessoas normais. Pois foram discursos como esse que ajudaram a nos colocar onde estamos agora. Pelo menos uma das balas que atingiram o seu irmão foi disparada naquele dia, em cima daquele palco.

Mas eu não vou dizer que ‘seu irmão tá baleado, babaca’, porque eu sei o preço que a gente paga por bater de frente com os opressores. Foi o preço que o Lula precisou pagar, acho que agora você entende.

Eu sei que você vai pegar toda essa dor e toda essa raiva – e que nós, extremistas, estamos passando desde 2016 – e vai sair desse limbo em que você se meteu, dessa coisa de querer ser luz em meio à escuridão. Tá na hora de sujar as mãos, não é mesmo?

Seja bem-vindo.

Assinado, um babaca.

Bernardo Mendes –  Professor. Carta amplamente divulgada nas redes sociais.


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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