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Uma dúzia de educadoras goianas que ficaram para a história

Uma dúzia de educadoras goianas que ficaram para a história

Uma dúzia de educadoras goianas que ficaram para a história – Nada mais feminino em Goiás do que o magistério. Dos/as 40 mil filiados/as ao Sintego, a maioria são mulheres. Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, o SINTEGO realizou uma programação diversificada por todo o estado…

Por Bia de Lima

Em Goiânia, fizemos uma linda caminhada e uma feira lilás para reafirmar nossa luta por igualdade de direitos e pelo combate a toda e qualquer forma de violência contra as mulheres.

Com imensa gratidão e humildade, tive o privilégio de ser, no dia 8, uma das mulheres homenageadas pela Comenda Berenice Teixeira Artiaga, conferida pela Assembleia Legislativa de Goiás às mulheres que se destacam em nosso estado.

Tive, também, a honra de discursar em nome de todas as homenageadas. Disse que nós mulheres não queremos ser lembradas apenas por uma data, mas pela nossa importância dentro da família, no trabalho e na sociedade. O que queremos é uma sociedade sem violência e com mais respeito.

Nada mais justo, portanto, do que celebrar março, o mês da mulher, relembrando essa dúzia de educadoras goianas, da capital e do interior, que formaram as gerações passadas e servem de referência para educadoras/es do presente e do futuro. Ao homenageá-las, celebramos todas as mulheres goianas, conhecidas e anônimas, que fazem a nossa história.

ALMERINDA MAGALHÃES ARANTES (1906–1996) – Lecionou em Formosa e Planaltina. Fundadora e presidente da Associação das Professoras Primárias de Goiás (APPGo) e uma das primeiras mulheres a obter o título eleitoral em Goiás. Foi Deputada Estadual (1955–1959/1963–1967).

AMÁLIA HERMANO TEIXEIRA (1916–1911) – Advogada, escritora, historiadora, orquidófila, professora da Universidade Federal de Goiás. Goiânia deu seu nome ao Jardim Botânico da cidade. Eternizou-se também em flor: a orquídea “Cattleia Nobilior Amalie” foi nominada em sua homenagem.

BERENICE TEIXEIRA ARTIAGA (1916-2012) – Professora e Funcionária Pública. Primeira mulher a ser eleita deputada estadual no Estado de Goiás, em 1951, na segunda legislatura da Assembleia goiana.

IZABEL CRISTINA DE SOUZA ORTIZ – Natural de Posse, viveu e lecionou  a maior parte de sua vida em Formosa, onde formou várias gerações. Foi fundadora do Sintego e Presidenta da Regional do Sintego em Formosa.

MARIA DAS DORES CAMPOS, Dona Mariazinha (1911–1993) – Formou-se professora em 1928 e exerceu a profissão por mais de 70 anos. Memorialista, escreveu vários livros sobre seu município, incluindo Catalão: Estudo Histórico e Geográfico (1976) e Gente Nossa (1985).

MESTRA INHOLA – Pacífica Josefina de Castro (Goiás Velho, 1846–1932) Fundou sua própria escola desenvolvendo método próprio, onde ministrava as primeiras letras e cálculos. Mestra Inhola foi homenageada pelo seu jubileu de ouro do magistério.

MESTRA SILVINA HERMELINDA XAVIER DE BRITO (1835–1920) –  Professora de Cora Coralina. Foi imortalizada em versos pela poetisa com o poema A Escola de Mestra Silvina, publicado em seu livro Poema dos Becos de Goiás e outras histórias mais.

NELLY ALVES DE ALMEIDA (1916–1999) – Lecionou filologia na Escola Complementar de Itaberaí. Em Goiânia, no Colégio Santo Agostinho e no Instituto de Educação de Goiás. Publicou, dentre outros livros, A diferença entre o português do Brasil e o de Portugal, 1974; e Aspecto da literatura goiana, 1980.

NHANHÁ DO COUTO, Maria Angélica da Costa Brandão (1880-1945) – Professora, musicista e incentivadora da música erudita. Montou a primeira orquestra da cidade de Goiás. Compôs fundos musicais para filmes mudos.  Fundou um clube carnavalesco de mulheres e a primeira orquestra feminina do Brasil.

OFÉLIA SOCRATES  – Nascida em 1900, no Rio de Janeiro. Passou a infância em Goiás. Formou-se professora em São Paulo, em 1918.  Voltou para Goiás em 1922. Produziu a primeira obra sobre história de Goiás para fins didáticos, para uso no curso primário, publicada em 1934.

OLINDA DA ROCHA LOBO (1928 – 2013) – Em 1959, tornou-se professora do Júlia Kubitschek, a primeira escola de Brasília. Foi a primeira professora da Escola Classe de Brasília, a da 308 Sul. Até 1982, quando se aposentou, deu aulas na Escola de Aplicação, na Universidade de Brasília, e ajudou a fundar a Faculdade de Artes Dulcina de Moraes.

REGINA LACERDA (1919–1992) – Professora de Desenho, História da Arte e curso de Licenciatura na Universidade Católica de Goiás.  Foi Diretora do Museu Estadual de Goiás, uma das fundadoras da Escola Goiana de Belas Artes, e a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Goiana de Letras.

Bia de Lima – Educadora. Presidenta do Sintego

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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