O X do Problema: versos femininos do poeta Noel Rosa

 O X do Problema: versos femininos do poeta Noel Rosa –

Nasci no Estácio
Eu fui educada na roda de bamba
Eu fui diplomada na escola de samba
Sou independente, conforme se vê
Nasci no Estácio
O samba é a corda e eu sou a caçamba

E não acredito que haja muamba
Que possa fazer gostar de você
Eu sou diretora da escola do Estácio de Sá
E felicidade maior neste mundo não há
Já fui convidada para ser estrela do nosso cinema
Ser estrela é bem fácil
Sair do Estácio é que é o X do problema

Você tem vontade
Que eu abandone o largo de Estácio
Pra ser a rainha de um grande palácio
E dar um banquete uma vez por semana
Nasci no Estácio
Não posso mudar minha massa de sangue
Você pode ver que palmeira do mangue
Não vive na areia de copacabana

Foto: SRzd/Juliana Dias

ANOTE AÍ:

Comentário de Walmir Dantas,  VAVÁ O CABELEIRA na internet: Essa música foi inspirada na comediante Emma D’Ávila, que por esse tempo ( 1935/36 ), iria se apresentar numa peça de teatro ( Rio Follies ), cantando algo sobre o bairro do Estácio ( Rio de Janeiro ) — mas, cadê a música?… Foi aí que a coisa sobrou, para Noel Rosa — rsrsrs!….De imediato, ele compôs letra e música — assim surgiu o samba, “O ‘X’ do Problema”….Quem gravou inicialmente, foi a cantora Araci de Almeida, em set. de 1936 ( disco: Victor )…. A música obteve um excelente destaque, nas programações radiofônicas, da época!….

Biografia de Noel Rosa

Noel Rosa (1910-1937) foi um compositor, cantor e violonista brasileiro. Um dos mais importantes artistas da história da música popular brasileira. Em pouco tempo de vida compôs mais de 300 músicas, entre sambas, marchinhas e canções. Entre suas músicas destacam-se, “Com Que Roupa”, seu primeiro sucesso, “Conversa de Botequim”, “Feitiço da Vila” e “Fita Amarela”. Ficou conhecido como “O Poeta da Vila”.

Noel Medeiros Rosa (1910-1937) nasceu no bairro de Vila Isabel, Rio de janeiro, no dia 11 de dezembro de 1910. Filho do comerciante Manuel Medeiros Rosa e da professora Marta de Medeiros Rosa foi aluno do tradicional Colégio São Bento. Muito cedo aprendeu a tocar violão e bandolim. Em 1930 ingressa na Faculdade Nacional de Medicina, mas depois de dois anos abandonou o curso. Já estava envolvido com a música e a boemia. Formou junto com os músicos Almirante, Braguinha, Alvinho e Henrique Brito, o conjunto Bando de Tangarás.

Entre os anos de 1930 a 1937, Noel compôs mais de 300 músicas, entre sambas, marchinhas e canções. Entre seus sucessos destacam-se, “Com Que Roupa”, seu primeiro sucesso, “Conversa de Botequim”, “Feitiço da Vila” e “Fita Amarela”. Entre os interpretes de seus sambas estão: Aracy de Almeida, Francisco Alves e Mário Reis. Mestres da Música Popular Brasileira como Chico Buarque de Holanda e Paulinho da Viola, fazem questão de realçar a influência que Noel Rosa teve em suas músicas.

Em 1934 casa-se com Lindaura, moça da alta sociedade, mas tinha várias amantes e passava noites pelos cabarés do bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, cantando, bebendo e fumando. Acometido de tuberculose, foi para Belo Horizonte para tratamento de saúde. Na volta para o Rio de Janeiro, achando-se curado, volta à vida boêmia.

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Noel Rosa foi homenageado em filmes e peças de teatro. Em 2010, a Escola de Samba Unidos da Vila Isabel, apresentou o enredo do carnaval com o samba Noel: A presença do Poeta da Vila, de autoria de Martinho da Vila.

Noel Rosa faleceu no Rio de Janeiro (RJ), no dia 4 de maio de 1937.

Fonte da biografia de Noel Rosa: https://www.ebiografia.com/noel_rosa/

Foto: omorungaba

https://xapuri.info/perola-negra-luiz-melodia/

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora