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Zunga: aprendiz da vida e professor de sonhos

Zunga: Ser militante é ser aprendiz da vida e professor de sonhos

“É que os militantes não vêm para buscar o seu, vêm entregar a alma por um punhado de sonhos.” Pepe Mujica – Militante e ex-Presidente do Uruguai.

Nenhum militante será completo se não agir como gente!

Somos o que somos, temos crenças e devoções que nos permitem viver em comunidades,

Somos pais e filhos, maridos e esposas, aguerridos e solidários, ativistas e observadores,

Somos pensadores e analistas,

A crítica faz parte do DNA do militante, assim como as brincadeiras e a descontração,

Somos solitários em nossos pensamentos e coletivos em nossas caminhadas,

Somos amigos e companheiros, falamos e sabemos ouvir,

Somos militantes de causas nobres,

Levantamos bandeiras e plantamos flores,

Enfrentamos ventanias e o silêncio das madrugadas,

Superamos obstáculos e enfrentamos a dor,

Pensamos no mundo e cuidamos do nosso quintal,

Plantamos sementes e aguardamos os frutos,

Enfrentamos as injustiças e fortalecemos nossas convicções,

Somos monges na consolidação do nosso ideal,

Somos crianças descobrindo o novo,

Somos aprendizes da vida e professores de sonhos,

O tempo fortalece nossas crenças e caleja nosso corpo,

O tempo nos faz melhores e mais tolerantes,

A tolerância transforma nossa sensibilidade,

Observamos as águas no vai-e-vem das ondas,

A força dos ventos que balançam os coqueiros,

Observamos a sociedade na sua lida diária,

Somos coletivo, somos indivíduos,

Somos inteiros na essência, nos atos, na fala e no silêncio,

Somos intensos e não somos só elogios,

Pois pensar e raciocinar qualifica a nossa labuta diária,

Se o grupo político não considera os valores que cada um carrega em seu coração,

Como vamos convencer a sociedade quanto aos nossos propósitos?

Só nos resta a fé em nossas convicções de militantes indivisíveis,

Aguerridos e determinados a construir as pontes que foram levadas pela violência das águas da história.

 

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foto: portal vermelho

ANOTE AÍ:

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José Zunga é militante histórico da Central Única dos Trabalhadores – CUT e do Partido dos Trabalhadores, e ex-presidente da CUT no Distrito Federal.

Foto de capa: Abdias Nascimento, militando contra a ditadura instaurada pelo golpe militar de 1964.

 

 

 

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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