"30 ANOS DE FLORESTA" LANÇA OLHAR HISTÓRICO SOBRE A AMAZÔNIA NA COP30

“30 ANOS DE FLORESTA” LANÇA OLHAR HISTÓRICO SOBRE A AMAZÔNIA NA COP30

30 Anos de Floresta” Lança Olhar Histórico sobre a Amazônia na COP30

Obra monumental integra Coleção COP30 do Senado e usa plataforma digital para levar o vasto legado do fotógrafo a decisores e educadores de todo o mundo

Por Revista Xapuri

BELÉM (PA) – A Amazônia será o foco central da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), e para contribuir com a profundidade do debate, o Conselho Editorial do Senado Federal, em colaboração com o Acervo PhotoAmazonica, anuncia o lançamento do livro fotográfico “30 Anos de Floresta: a Amazônia na fotografia e diários de bordo de Leonide Principe”.

A obra, que integra a Coleção COP30 do Senado Federal, será apresentada em Belém (PA), oferecendo a chefes de Estado, delegados e à imprensa internacional uma visão curada e qualificada que vai além das manchetes.

Segundo presidente do Conselho Editorial do Senado, o senador Randolfe Rodrigues, o Conselho Editorial do Senado escolheu o ambiente da Conferência do Clima (COP30) – a primeira realizada no coração da Amazônia – para fazer o lançamento de “30 anos de floresta..”, de Leonide Principe, porque essa obra revela a beleza e a força da Amazônia, por meio da fotografia.

“É uma obra que celebra três décadas de um olhar muito sensível sobre a diversidade e a beleza de nossa floresta, valorizando não somente a biodiversidade, mas também a memória ambiental da região”. Para o senador, importância da obra é que ela revela a imponência do rio Amazonas e, ao mesmo tempo, revela os detalhes do diferencial dessa floresta, onde os rios nascem no Acre e no Amazonas.

“É uma obra que traz registros como da Orla de Macapá e da Pedra do Guindaste de São José de Macapá e não se pode falar em Amazônia no singular, são Amazônias, se pronuncia no plural porque trata-se do maior aquífero do planeta, então, a condição de superlativos que reúne a maior floresta tropical do mundo, o maior berço de espécies do planeta, não poderia se resumir em uma só definição de Amazônia.

E nada melhor do que a fotografia para revelar esta diversidade da Amazônia. A obra é editada em português e francês para também celebrar a unidade que tem a Amazônia entre a América e a Europa. É no Brasil onde as fronteiras europeias se encontram, no Amapá, com a fronteira brasileira, também outra síntese das diversidades que povoaram a região”, destaca o senador.

Eventos de Lançamento na COP30

O livro terá dois eventos de lançamento durante a Conferência:

  • 15 de novembro, às 12h: Estande da Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA), na Zona Verde.
  • 18 de novembro, às 16h: Estande do Tribunal de Contas da União (TCU), na Zona Azul.

O Legado de Três Décadas em Imagens

A publicação é a magnum opus do fotógrafo ítalo-francês Leonide Principe, que dedicou mais de 30 anos à eco-cobertura do bioma, construindo um vasto acervo de mais de 100 mil imagens. O livro transcende a galeria de arte, firmando-se como um documento essencial sobre a sociobiodiversidade, a cultura e a ciência de campo da Amazônia.

O lançamento estratégico na COP30 busca garantir que o conhecimento aprofundado e qualificado sobre o bioma chegue aos decisores globais, reforçando a relevância do Brasil no debate sobre clima e biodiversidade.

Sinergia com a Tecnologia: Acervo PhotoAmazonica

O livro físico é a materialização do Acervo PhotoAmazonica, um projeto digital pioneiro que visa democratizar o acesso a esse conhecimento.

A plataforma digital é multilíngue (Português, Inglês, Chinês e Francês) e utiliza o software museológico Tainacan, desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Organizado em 7 categorias temáticas (Fauna, Flora, Gente, Pesquisa, etc.), o acervo transforma o legado fotográfico em uma ferramenta pedagógica gratuita, acessível globalmente em https://leonideprincipe.photos.

“Fico pensando por quê estou aqui e uma linha do tempo se desenha na minha cabeça: longas trilhas em sub-bosques, escaladas em árvores emergentes, ousados vôos de ultra-leve, de helicóptero, demoradas navegações por rios infinitos, tudo isso flui como um buraco de minhoca, desde o desembarque naquele pátio absurdamente quente do aeroporto de Manaus, em 1989, e se comprime até o presente momento: se estou aqui, é por causa de todos os acontecimentos, aventuras e percepções que eu guardei no acervo fotográfico, agora disponível em signo de gratidão, no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, ao uso irrestrito da arte e da cultura”, afirma o fotógrafo, Leonide Principe.

Apoio Institucional Relevante

O projeto conta com o reconhecimento e apoio de instituições-chave:

  • Senado Federal: Responsável pela publicação, no âmbito da Coleção COP30.
  • Ministério da Cultura (MinC): Viabilizou a participação do fotógrafo Leonide Principe e da curadora Juliana Belota nos eventos de divulgação, sublinhando o compromisso federal com a difusão da cultura e ciência amazônica.
  • Secretaria Estadual de Cultura do Amazonas (SEC/AM): Instituição que abriga o acervo no museu Centro Cultural dos Povos da Amazônia.

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p style=”text-align: justify;”>O lançamento na COP30 é um marco que promove o intercâmbio de conhecimento e a valorização do patrimônio visual e científico da Amazônia.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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