“QUAL É O MAL DE EU SER MULHER?” IRMÃ JUANA INÉS DE LA CRUZ

“QUAL É O MAL DE EU SER MULHER?” JUANA INÉS DE LA CRUZ

“QUAL É O MAL DE EU SER MULHER?” JUANA INÉS DE LA CRUZ

A maioria das pessoas, até as que são consideradas geniais pela sociedade, estuda em escolas tradicionais. Como a maioria, aprende com professores e tutores, seja em salas de aula ou em grupos de estudo. Mas uma das mentes mais brilhantes do México teve uma formação bem diferente. Irmã Juana Inés de la Cruz (12/11/1651-17/04/1695) foi totalmente autodidata. 

Irmã Juana nasceu Juana Ramírez, durante a época da colonização espanhola. Desde muito pequena, pegava livros na biblioteca do avô e aprendeu sozinha a ler e a escrever. Após três anos, já sabia latim. Aos cinco, sabia matemática complexa. Aos oito, escrevia poesia. mulher

Quando era adolescente, ela sabia lógica grega e tinha aprendido a escrever em náuatele, uma língua asteca. Desesperada para estudar ainda mais, ela implorou para poder se disfarçar de menino e, dessa forma, ir para a faculdade. mulher

Em pouco tempo, Irmã Juana chamou a atenção de líderes regionais, que não conseguiam acreditar nas histórias que ouviam sobre essa talentosa garota. O vice-rei (um líder que representa o rei) reuniu um grupo de acadêmicos superiores para testar a inteligência dela.

Aos 17 anos, Irmã Juana apareceu na frente desses admiráveis homens. Eles fizeram perguntas sobre literatura, ciências, matemática e filosofia, e ela respondeu todas corretamente.

Impressionado com a inteligência da garota, o vice-rei ofereceu sustento a Irmã Juana para que ela pudesse continuar a estudar e aprender. Ela entrou em um convento e se tornou freira porque desejava “não ter ocupação física que pudesse reduzir minha liberdade de estudar”.

Vivendo na paz do convento, Irmã Juana foi atrás daquilo que era sua verdadeira paixão: ler, escrever, estudar e aprender. mulher

Mas seus apoiadores queriam que Irmã Juana só concentrasse seus estudos em escritos religiosos e deixasse as ideias filosóficas e políticas de lado. Em resposta, ela escreveu o que é considerado seu texto mais famoso: Respuesta a Sor Filotea, ou “Resposta à Irmã Filotea”. mulher

Nessa carta, Irmã Juana defende apaixonadamente o direito de todas as mulheres a aprenderem e a estudarem. Ela cita famosas e estudadas da história e ecoa as palavras de Santa Tereza de Ávila com o comentário: “É perfeitamente possível filosofar enquanto se prepara o jantar”. Essa carta é considerada o primeiro texto feminista do Novo Mundo.

O antigo convento da Irmã Juana é agora uma universidade que leva o nome dela, e seu rosto aparece também tanto em moedas quanto em cédulas mexicanas.

Fonte: Mulheres Incríveis, escrito por Kate Schatz, Editora Astral Cultural, 2017.  mulher

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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