MORCEGOS: A NATUREZA NO SILÊNCIO DA NOITE

MORCEGOS: A NATUREZA NO SILÊNCIO DA NOITE

MORCEGOS: A NATUREZA NO SILÊNCIO DA NOITE

Os morcegos, apesar de voarem, fazem parte da classe Mammalia, grupo que inclui diversos animais, como felinos e canídeos, e pertencem à ordem Chiroptera.

Por Thaís Silveira

Os morcegos, apesar de voarem, fazem parte da classe Mammalia, grupo que inclui diversos animais, como felinos e
canídeos, e pertencem à ordem Chiroptera. Essa ordem recebe esse nome devido ao seu significado grego: “asa de mão”, o que se justifica pela presença de uma membrana ao redor de seus dedos alongados. 
São os únicos mamíferos capazes de realizar um voo verdadeiro, pois possuem asas. Além do mais, a ordem Chiroptera é a segunda maior da classe dos mamíferos, ficando atrás apenas dos roedores.
Assim como os demais mamíferos, os morcegos possuem pelos. Seus filhotes são gerados no útero, como ocorre com os outros mamíferos placentários. Após o nascimento, eles se alimentam do leite produzido pelas glândulas mamárias das suas mães.
Os morcegos também apresentam características evolutivas importantes, como as asas e o sistema de ecolocalização. A estrutura de suas asas proporciona grande agilidade durante o voo, permitindo que realizem movimentos rápidos, façam mudanças bruscas de direção e desviem de obstáculos. 
Por meio da ecolocalização, muitas espécies emitem sons e interpretam os ecos produzidos, conseguindo se orientar no ambiente e localizar seus alimentos. Essas habilidades são muito importantes, pois a maioria desses animais possui hábitos noturnos ou crepusculares.
Os morcegos possuem grande importância para a biodiversidade devido aos seus diferentes hábitos alimentares. As
espécies que se alimentam de néctar e pólen ajudam na polinização das plantas; aquelas que consomem frutos contribuem para a dispersão de sementes; e as que se alimentam de insetos ajudam no controle de suas populações.
Embora sejam frequentemente retratados como animais que se alimentam de sangue, esse hábito é muito raro entre os morcegos. Das mais de 1.400 espécies descritas no mundo, apenas três são hematófagas, ou seja, alimentam-se de sangue. Essa associação contribui para a criação de mitos e para a imagem negativa desses animais, dificultando o reconhecimento de sua importância para a natureza.
Conhecer melhor os morcegos é essencial para compreender sua importância e contribuir para sua preservação.

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Imagem: Brasil Escola

Thaís Silveira sorri para a câmera em uma selfie. A bióloga tem cabelos longos em tranças, veste blusa branca de crochê sem mangas e está diante de uma parede clara e do batente de uma porta.Thaís Silveira – Bióloga (Universidade Estadual de Santa Cruz), pós-graduanda em gestão para sustentabilidade pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Capa: Créditos Pixabay

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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