ÁLCOOL E CAFEÍNA: UMA COMBINAÇÃO PERIGOSA

ÁLCOOL E CAFEÍNA: UMA COMBINAÇÃO PERIGOSA

Álcool e Cafeína: Uma combinação perigosa 

A cafeína não ajuda nenhuma pessoa bêbada a ficar sóbria. Na maior parte dos casos, pra curar bebedeira, só o tempo. Pro porre ser menor, comer antes de beber pode atrapalhar um pouco o aumento do álcool na corrente sanguínea…

Por Eduardo Weiss

Você já passou por isso? Bebeu demais na festa e, então, pra manter a sobriedade, tomou aquele super copo de café amargo? Esquece, a mistura de café com álcool não baixa a sua embriaguez, pode até te “acordar” um pouco, mas não te deixa mais sóbrio. Pior, gera sérios riscos para a sua saúde.

Segundo a dra Mary Claire O´Brien, diretora da Wake Forest School of Medicine, que realiza estudos sobre a relação entre a cafeína e o álcool, essa é uma “tempestade perfeita”.

A cafeína é um estimulante que, ao bloquear uma substância chamada adenosina, deixa o organismo em estado de alerta e faz a gente se sentir com menos cansaço. Em um primeiro momento, o álcool, ao liberar dopamina, também funciona como um estimulante, porém não cria um estado de alerta.

risco da combinação

Ao contrário, depois da ingestão inicial, o álcool libera a GABA, uma substância que resulta em sedação, deixando as pessoas cansadas e sonolentas.

O risco da combinação de cafeína com álcool aumenta quando, ao combinar essas duas substâncias, seu cérebro cria uma falsa sensação de segurança e aptidão, deixando você achar que está mais desperto e menos bêbado, o que, de fato, não acontece.

E aí é que mora o maior perigo. Há pessoas que, depois de um café, insistem em dirigir, dizendo que o efeito do álcool já passou. Só que, se uma criança atravessar a rua inesperadamente, a reação da pessoa pode não ser rápida o bastante e, as- sim, ela pode acabar causando uma tragédia.

Ou, segundo a Dra. O´Brien, ao experimentar essa falsa sensação de sobriedade, as pessoas podem voltar a beber, correndo o risco de sofrer uma intoxicação.

Moral da história: a cafeína não ajuda nenhuma pessoa bêbada a ficar sóbrio. Na maior parte dos casos, pra curar bebedeira, só o tempo. Pro porre ser menor, comer antes de beber pode atrapalhar um pouco o aumento do álcool na corrente sanguínea.

Especialistas também dizem que alternar bebida alcoólica com água ajuda. Não diminui a absorção do álcool pelo organismo, mas, ao deixar seu corpo mais hidratado, pode deixar menos espaço para o álcool na sua celebração.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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