Curiosidades sobre o capim dourado
Muitas pessoas, quando veem o artesanato de capim dourado, não imaginam que aquela haste que brilha como ouro é só parte de uma planta. Cada pé de capim-dourado é uma sapata (ou roseta, como dizem os especialistas), que cresce perto do solo e tem 3 ou 4 centímetros de largura.
Geralmente essa sapata fica escondida debaixo de todos os outros capins, e é ela que produz as artes douradas que vemos no artesanato. “Haste”, “filete”, “fiapo” são os nomes que as pessoas usam para chamar o que os cientistas chamam de “escapo”. Essas hastes, ou escapos, servem para sustentar as suas flores, pois na ponta de cada uma delas existe uma cabecinha, – que chamamos de “capítulo” – que produz as flores, os frutos e as sementes.
Cada sapata de capim-dourado produz cerca de duas hastes por ano, mas existem plantas que podem produzir 10 a 20 hastes muitas vezes na vida. Cada haste possui uma cabecinha, que produz no seu interior diversas flores, que são muito pequenas.
As flores produzem “frutos secos”, pois não se parecem com as frutas que comemos, que possuem polpa. Os frutos têm, no seu interior, duas ou três sementes cada.
Assim, uma cabecinha produz entre 40 e 60 sementes, que são muito pequenas, com menos de um milímetro, possuem cor marrom e parecem uma poeira, que, ao germinarem, darão origem a uma pequena planta.
O nome científico do capim-dourado é Singonanthus nitens. Nitens, em latim, significa “que brilha”, ou seja, mesmo o nome científico da planta já diz que ela tem uma parte que brilha.
Outra coisa curiosa é que o capim-dourado não é exatamente um capim, ou uma grama daquelas que crescem nos pastos. O capim-dourado é, na verdade, um tipo de sempre-viva.
Portanto, não pertence à mesma família das plantas dos capins, mas sim a outra família, que se chama Eriocaulácea.
O capim-dourado ocorre nas veredas em praticamente todo o Cerrado do Brasil. Porém, existe em maior quantidade do Jalapão, que é uma região ao leste do estado do Tocantins.
Fonte: Boas práticas de manejo para o extrativismo sustentável do Capim-Dourado & Buriti. Mauricio Bonesso Sampaio, Isabel Belloni Schmidt, Isabel Benedetti Figueiredo e Paulo Takeo Sano. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, 2010.
MAIS SOBRE O CAPIM DOURADO
Por Cerratinga
Cada pé de capim-dourado é uma sapata (ou roseta, como dizem os especialistas), que cresce perto do solo e tem três ou quatro centímetros de largura. Cada sapata, em geral, produz duas hastes por ano. No entanto, algumas plantas podem produzir até 20 hastes/ano. No topo das hastes, brotam flores muito pequenas, as quais resultam em pequenos frutos secos.
Tais frutos não são comestíveis, eles são os guardiões das sementes que garantem a perpetuação da espécie. Cada cabeça de haste guarda até 60 sementes, as quais, devido ao seu tamanho reduzido, têm uma aparência de poeira marrom.
Instituto Natureza do Tocantins
Na região do Jalapão, TO, o Instituto Natureza do Tocantins definiu regras para a colheita das hastes de capim-dourado utilizadas na confecção de artesanato, que resultaram na Portaria 092/2005, reeditada como Portaria 362/2007 com o objetivo de evitar a extinção da espécie.
As medidas a serem tomadas são: as hastes apenas podem ser colhidas após 20 de setembro, ou seja, somente após a maturação das sementes; os frutos devem ser cortados e dispersos no solo logo após a colheita; as hastes de capim dourado não podem sair da região in natura,apenas em forma de artesanato.

O capim dourado é matéria-prima para a confecção de bolsas, bijouterias e objetos de decoração, que são nacionalmente conhecidos e valorizados. A arte de transformar as hastes em artesanato é uma herança dos índios Xerente.
Os utensílios fabricados por eles eram utilizados em casa ou trocados por outros produtos. Atualmente, a produção de tais peças artesanais é a principal fonte de renda de centenas de famílias.