MST ELEGE 133 LIDERANÇAS PARA AS PREFEITURAS E CÂMARAS MUNICIPAIS

MST ELEGE 133 LIDERANÇAS PARA AS PREFEITURAS E CÂMARAS MUNICIPAIS EM 19 ESTADOS BRASILEIROS 

Em uma articulação inédita, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) conseguiu elegereleger 133 lideranças nas eleições de 2024, consolidando sua presença em todo o Brasil.  

Das 600 candidaturas lançadas ou apoiadas pelo Movimento, o MST elegeu 110 vereadores e vereadoras, além de conquistar 23 prefeituras e vice-prefeituras, principalmente em cidades do interior, abrangendo 19 estados.

As lideranças eleitas estão comprometidas com causas centrais do Movimento, como a democratização do acesso à terra, o incentivo à produção de alimentos saudáveis e sustentáveis e o combate à fome. Também são prioridades educação, saúde, cultura, diversidade e preservação do meio ambiente.

Segundo a coordenação nacional do MST, a participação no pleito municipal teve resultados expressivos, não apenas pelo número de pessoas eleitas, mas também pelo fortalecimento do capital social e político do Movimento. O trabalho de base e o diálogo com a população foram fundamentais para o sucesso da articulação.

“As candidaturas do MST realizaram um trabalho excepcional em todas as regiões do país, levando a pauta da Reforma Agrária Popular tanto para o campo quanto para as cidades. O resultado eleitoral é reflexo dessa mobilização e uma importante vitória política,” declarou Luana Carvalho, da direção nacional do MST. Ela destacou que o Movimento busca se consolidar como uma força política organizada, capaz de avançar em legislações em defesa dos direitos da classe trabalhadora.

Ao fim do primeiro turno das eleições de 2024, o MST conquistou 1 prefeitura, 3 vice-prefeituras e 40 cadeiras nas câmaras municipais. Além disso, aliados do movimento pela Reforma Agrária elegeram 19 prefeitos, 3 vice-prefeitos e 69 vereadores em diversas regiões do país. Confira a lista completa das candidaturas eleitas que são aliadas na luta pela Reforma Agrária em mst.org.br.

MST ELEGE 133 LIDERANÇAS PARA AS PREFEITURAS E CÂMARAS MUNICIPAIS EM 19 ESTADOS BRASILEIROS 

Fonte: Movimento Sem Terra

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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