MANIFESTO MULHERES COM LULA PELA DEMOCRACIA
NÓS, mulheres brasileiras indignadas com o rompimento do Estado Democrático de Direito, traduzido em especial na condenação injusta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vimos a público denunciar a perseguição obsessiva a uma liderança surgida no chão da fábrica, no coração da luta popular construída a ferro e fogo por milhões de brasileiros e brasileiras.

Foto: Zezé Weiss
Condenam Lula sem crime e, portanto, sem provas, com o único objetivo de retirar do povo brasileiro o legítimo direito de escolha do presidente que promoveu a inclusão social, ampliou os espaços de cidadania e retirou o Brasil do Mapa da Fome. Condenam Lula para, uma vez mais, manter a dominação histórica que, há mais de 500 anos, oprime a classe trabalhadora e o povo pobre do Brasil.
Por essa razão, NÓS, mulheres comprometidas com a defesa dos direitos humanos e da justiça social, estamos todas as segundas-feiras em frente ao STF, Corte Suprema da República a quem corresponde a decisão sobre as querelas judiciais que hoje colocam em risco o destino da Democracia em nosso País, para defender o direito legitimo e democrático de Lula ser candidato porque:
LULA É INOCENTE
CONDENAÇÃO SEM CRIME É GOLPE
ELEIÇÃO SEM LULA É FRAUDE
MULHERES COM LULA PELA DEMOCRACIA -COMITÊ BRASILIA
5 de março de 2018

Fotos: Zezé Weiss

O Manifesto das Mulheres com Lula pela Democracaia será lido nesta segunda-feira, 5 de março, às 17 horas, em frete ao STF, em Brasília.

O Movimento Mulheres com Lula pela Democracia – Comitê Brasília reúne-se toda segunda-feira, às 16 horas, em frente ao Supremo Tribunal Federal, Praça dos Três Poderes – Brasília. O movimento é suprapartidário, formado por mulheres de esquerda, comprometidas com a defesa de Lula e da Democracia.

Foto: Francisco Proner
Foto: Ricardo Stuckert
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Por Lourenço Diaféria

Foto: Ricardo Stuckert
Pegaram um dia um operário e disseram-lhe:
Senta-te no banco dos réus.
És acusado de haveres nascido com sonhos na cabeça.
És acusado de teres os cabelos encaracolados.
És acusado de teres bigodes vastos, negros, provocativos.
És acusado de teres alguns pedaços de dedos a menos que o comum dos mortais, podados pelas engrenagens das máquinas.
És acusado de ficares pelas esquinas conversando em voz baixa com amigos enquanto a luz dos postes te ilumina o suor do rosto.
És acusado de terem te visto no bar dando gargalhadas.
És acusado de tua casa ter um pequeno jardim com grama e flores.
És acusado de conheceres a sinfonia das sirenes das fábricas anunciando a aurora do primeiro turno.
És acusado de seres reconhecido na portaria e todos te cumprimentarem, e te baterem levemente nas costas com alegria, e te dizerem: olá, meu chapa.
És acusado de inventares um partido que não é o único, mas não se confunde com siglas e teorias de alfarrábios envelhecidos.
És acusado de fazeres discursos de improviso com vigor e garra que nascem do fundo das vísceras do espírito.
És acusado de não seres magro nem raquítico como teus irmãos deviam ser.
És acusado de jogares baralho e dares dores de cabeça aos homens sérios deste país.
És acusado de usares gravata em vez de macacão, vestindo-te com roupas só permissíveis no enterro do melhor amigo.
És acusado de frequentar reuniões e discutires com sábios e iluminados sem pedir licença nem apresentar diploma.
És acusado de te haverem visto com ministros, criaturas importantes, e não te ocorrer submeter-se a elas.
És acusado de não teres te colocado no lugar cavado para o oprimido.
És acusado de haveres gritado com toda a força de teus pulmões fuliginosos.
És acusado de teres filhos bonitos e uma mulher doce, que devia ser feia e talhada a foice.
És acusado de não seres rapaz comportado, meigo, gentil, acetinado.
És acusado de conheceres a prensa, e não te afugentar o ronco que ela faz na madrugada.
És acusado de quereres a pátria livre, e livre, também, o coração e os sentimentos do homem.
És acusado de rezares e de pôr a boca no trombone quando todos se calam e descreem de Deus e dos homens.
És acusado de teres o desplante de ser líder num país desnaturado onde quem levanta a fronte é triturado.
És acusado de haveres perdido a paciência de esperar pelo futuro que não chega nunca.
És acusado de usares sapatos 42, de couro, quando o normal é sandália havaiana.
És acusado de romperes as cadeias invisíveis que amarram teus braços peludos e tuas mãos penadas.
És acusado de atraíres os operários com tua voz, teu berro, teu silêncio, teu olhar, tua dor, tua ânsia, teu mistério, e saberes contar, sorrindo, tristes histórias recolhidas em barracos e cômodos-e-cozinhas.
És acusado de estares em pé, quando devias estar de bruços, de borco, exangue e vencido.
És acusado de não seres o que queriam que tu fosses.
Meu caro operário sentado no banco dos réus, por favor, recebe este recado:
e existir mesmo essa senhora difusa e vaga a que chamam Justiça, confia nela.
Não creio que essa matrona seja cega.

Foto: Acervo Histórico
Texto de Lourenço Diaféria , publicado no Jornal Folha de São Paulo, no dia 15/09/80. Fotos recentes das redes sociais de Lula, do PT e do Instituto Lula.