QUEM OUVIRÁ OS GRITOS DAS MENINAS IRANIANAS? 

QUEM OUVIRÁ OS GRITOS DAS MENINAS IRANIANAS? 

O regime dos Aiatolás sempre oprimiu as mulheres – não há dúvida quanto a isso. Diversas foram as denúncias e pedidos de asilo político de mulheres e intelectuais para outros países. Também por conta das manifestações pela prisão e morte da iraniana Maysa Amine, de 22 anos. Presa por se recusar a usar o véu, foi hospitalizada com sinais de agressão e morta, em 2022 no Irã

Por Virgínia Berriel 

Maysa tornou-se símbolo de luta pela libertação das mulheres. Este foi um caso de repercussão internacional, com muitas manifestações no Irã contra o regime político, pelo cerceamento e opressão. As manifestações duraram dias e foram vistas pelo mundo.

Os casos de asilo político cresceram ainda mais a partir de 2023, cerca de 45% de solicitações para os países da Europa. Os pedidos envolveram intelectuais, ativistas, acadêmicos, jornalistas, artistas, principalmente aqueles e aquelas que se opunham ao regime teocrático de Ali Khamenei.

Os pedidos sempre foram em razão da repressão de gênero pelo Estado; em razão da perseguição política, por conta da luta em defesa da liberdade e em razão da opressão cultural, imposta pelo regime que reduziu as liberdades fundamentais, principalmente para as mulheres. 

Todos e todas nós acompanhamos e também lutamos pela liberdade dessas mulheres, notadamente por mudanças, principalmente na garantia de direitos. 

Já uma mudança de regime, é algo que sempre esteve além das possibilidades e deveria ter sido tratado com muita cautela pelos demais países, sem jamais querer ou defender a morte, a guerra, a invasão, ou o assassinato de mais de 160 meninas, como o ocorrido na escola primária, na cidade de Minab, no sul do Irã.

O ataque à escola básica feminina foi articulado pelos Estados Unidos e por Israel, e ocorreu no dia 28 de fevereiro. Segundo informações da imprensa, o prédio ficava próximo a instalações militares. 

Isso, entretanto, não justifica o ataque pelos governos dos Estados Unidos e de Israel, de forma deliberada, a matança de 160 crianças, estudantes, dentro de um colégio. Um crime contra a humanidade, os direitos humanos, que deixou o mundo perplexo e demonstra mais uma vez a covardia dos EUA e de Israel que não tem limites.

Eles não podem criticar nenhum regime político porque não respeitam os pactos da ONU. Violaram as sanções e o direito internacional, rasgaram a constituição dos seus países a partir do momento que decidiram fazer uma guerra sem apreciação e deliberação do Congresso dos Estados Unidos e de Israel.

O ataque monstruoso, perverso e genocida que matou mais de 160 meninas, também feriu de morte seus familiares e a dignidade de um país Islâmico, formado por tantas etnias, mas que sabe conviver com as diferenças, por mais difícil que se possa entender por esse prisma. 

Os Estados Unidos e Israel, tem duas bestas-feras conduzindo o destino de americanos e israelenses. A maioria da população dos dois países não aprova a barbárie imposta por Trump e Netanyahu – são contrários aos ataques, portanto, não querem a guerra.

Como pode o presidente de uma nação como os Estados Unidos, apoiado pela liderança genocida de Israel, invadir outro país, matar meninas inocentes e bombardear as instalações do quartel-general e da Guarda Revolucionária, matar as suas lideranças políticas e religiosas, Ali Khamenei, familiares e diversos integrantes políticos do Irã, com a argumentação pífia, equivocada e mentirosa sobre armas nucleares?

Como Trump pode ter feito isso em meio às reuniões com autoridades do Irã negociando a não proliferação de armas nucleares e com proposta na mesa? Essa besta fera precisa ser parada e punida; agora! Ele e Netanyahu precisam responder por crimes contra a humanidade, crimes de guerra – mas não pode ser em um processo que se arraste longamente.

O MUNDO GRITA PELA PAZ

Até quando o mundo vai engolir essa falsa retórica de armas nucleares? Afinal, o mundo inteiro sabe que são os Estados Unidos que detém o maior arsenal bélico do mundo, seguido por Rússia, China, Índia, Coréia do Sul e do Norte, Reino Unido, França, Paquistão e Israel. 

Depois dessa ordem o Irã se destaca no Oriente Médio, com grande arsenal de mísseis e contingente humano. Será que o Irã não tem o direito de garantir a sua defesa? Será que o Irã não tem o direito de revidar aos ataques impostos?

O que parece é que nessa sucessão de absurdos, essas duas bestas-feras, Trump e Netanyahu, querem provocar o caos e enterrar a humanidade na barbárie extrema. Qual a diferença das monstruosidades cometidas pelo líder nazista Adolf Hitler, das cometidas por Trump e Nethanyhu? Certamente, nenhuma. Parecem-nos muito mais monstruosos e perversos, com poder sobre a humanidade e sua própria existência.

Essa é mais uma guerra que deveria acender o farol do mundo, da ONU – que parece perplexa. São necessárias medidas pesadas para a punição de Trump e Netanyahu. A perplexidade não vai resolver. Eles precisam ser parados, não podem jamais ser ignorados. 

Netanyahu já deveria ter sido julgado pelos crimes de guerra cometidos contra milhares de crianças, mulheres e idosos na Faixa de Gaza, na Palestina. Tem um rio de sangue que segue correndo aberto por onde esse monstro passa. Foram assassinados mais de 70 mil palestinos(nas). Se isso não chocou o mundo, o que mais precisa acontecer?

Estamos à beira de uma terceira guerra mundial, de proporções avassaladoras, com impactos sociais, econômicos e políticos para o mundo, para todos os países. Entretanto, esse mesmo mundo ignora a perversidade dos Estados Unidos e de Israel.

Quem ouviu os gritos das meninas iranianas? Quem vai chorar por elas, pelos familiares enlutados? Será que não existe dor para ser sentida, chorada e velada?

Não é momento para os países se armarem ou aumentarem seus arsenais atômicos e de guerra. O momento é de uma luta, de uma cruzada pela busca de paz no mundo, o que ainda é possível. Mas, a meu ver, só teremos paz se conseguirmos parar Netanyahu e Trump. Eles precisam ser contidos e condenados.

Será que a besta-fera Trump achou que entraria, mataria, prenderia e roubaria o petróleo como fez na Venezuela e tudo bem?

Fiz um monte de perguntas, que talvez até saiba as respostas. Mas hoje, amanhã, depois e por muito tempo sei que vou chorar. E só posso chorar a dor e morte das meninas iranianas. As cerca de 160 mortes das meninas precisam ser lembradas para sempre – única forma de detenção do caos, da barbárie e ganância Americana e Israelense.

O mundo está perplexo, assustado e grita pela PAZ.

Chorem, choremos muito pelas meninas iranianas.

08
Photo: Morteza Akhondi

Virgínia Berriel Jornalista. Membra do Movimento Humanos por Direitos (MHuD). Consultora ad-hoc da Comissão Permanente dos Direitos ao Trabalho, à Educação e Seguridade Social do CNDH. Diretora do Sinttel-Rio. Presidenta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro.

Capa: Morteza Akhondi

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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