A ÁRVORE DOS ENFORCADOS

SOBRE A ÁRVORE DOS ENFORCADOS DE ARAXÁ

A árvore dos enforcados: símbolo da cultura negra em Araxá

Já faz uns anos que a bicentenária arvore dos enforcados morreu segundo especialistas de causas naturais. Mesmo assim, desde 2011 seus galhos secos continuam lá, firmes sob o céu azul de Araxá, atraindo gente, contando  e fazendo história

Por Zezé Weiss

Diz a lenda que ali naquele pau d´óleo que fica no alto da cidade, se enforcavam escravos. Dizem também que, no século XIX, depois do enforcamento de dois escravos, condenados em júri pelo morte de um senhor de escravos, muita gente viu a árvore chorar.

Verdade ou mito, ali, em volta dela, símbolo da cultura negra e patrimônio cultural de Araxá, se construiu um Centro de Referência da Cultura Negra, e também uma excelente biblioteca, sobretudo para crianças. O Centro é muito bem cuidado e merece uma visita em sua próxima passagem por Araxá.

Em 2008, dois anos antes de sua morte, vereadores do município tentaram mudar seu nome para “Árvore da Libertação”. Não deu certo. A população se mobilizou e, por meio de um abaixo-assinado, impediu a troca do nome da “Árvore dos Enforcados.”

Mesmo depois de sua morte, atestada em dezembro de 2010, pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) de Minas Gerais, ao fim de um ciclo de 200 anos de vida, a “Arvore dos Enforcados” continua sendo um importante ponto turístico em Araxá.

Árvore dos Enforcados

Você sabia?

O topônimo “Araxá” significa terreno elevado e plano, planalto, chapadão, região mais elevada do que qualquer sistema orográfico.

Os primeiros povoados da região foram para o Desemboque, distrito de Sacramento, atraídos pela exploração do ouro. Posteriormente, com a decadência da mineração, esses moradores dedicaram-se à criação de gado. Entre 1770 e 1780, Araxá recebeu seus primeiros moradores, e surgiram as primeiras fazendas da região.

Descoberta a fertilidade da terra e o sal mineral nas águas do Barreiro, o povoamento de Araxá se intensificou. Em 1780 surge um povoado em um pouso de tropeiros na passagem de gado que ia ao Barreiro salitrar. Em 1791, foi criada a Freguesia de São Domingos do Araxá e nomeado o primeiro vigário.

Araxá é a cidade mais antiga de todo o Sertão da Farinha Podre, isto é, todo o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Contava com 235 anos em 2015. (Fonte: Wikipedia)

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História da Árvore dos Enforcados em Araxá 

A história da “Árvore dos Enforcados” em Araxá, Minas Gerais, está envolta em mistério, lendas e fatos históricos que refletem um período sombrio da escravidão no Brasil.

A árvore, da espécie Pau de Óleo, localizada no bairro Alto da Boa Vista, viveu por cerca de 200 anos e se tornou um símbolo da cultura local, principalmente devido aos trágicos eventos que ocorreram ao seu redor.

Origem e Contexto Histórico

No século XIX, durante o período da escravidão, a “Árvore dos Enforcados” teria sido o local de execução de dois escravizados. A história mais comumente contada é que esses escravos foram condenados pelo assassinato de seu senhor.

Após um julgamento, eles foram enforcados na árvore, o que teve um impacto significativo na comunidade local. Execuções públicas como essa não eram incomuns na época, especialmente em lugares onde o sistema escravista era forte, como Araxá.

Lendas e Mitos

Após o enforcamento dos escravos, uma série de lendas começou a emergir. Moradores da região relataram que, em certas noites, a árvore parecia “chorar”, emitindo sons estranhos interpretados como as almas dos escravos clamando por justiça ou lamentando suas trágicas mortes. Essa crença contribuiu para que a árvore fosse vista como um símbolo de resistência e sofrimento para a população negra.

Ao longo dos anos, a “Árvore dos Enforcados” tornou-se um ponto de referência na cidade, não apenas por sua história sombria, mas também pelo que ela passou a representar em termos de memória e identidade cultural.

A árvore foi declarada um local de patrimônio histórico e cultural, reforçando sua importância para a cidade e seus habitantes.

Declínio e Morte da Árvore

A árvore viveu por cerca de dois séculos, mas morreu de causas naturais em 2011. Mesmo após sua morte, o tronco e os galhos secos foram preservados no local, servindo como um monumento silencioso que nos lembra das injustiças do passado.

Relevância Atual

Hoje, a “Árvore dos Enforcados” continua sendo um importante símbolo em Araxá. Ela é lembrada nas histórias orais e tradições da cidade, mencionada em trabalhos acadêmicos, livros e outras formas de registro cultural.

A árvore também serve como um lembrete do legado da escravidão no Brasil e da necessidade de preservar a memória histórica para que tragédias como essa não sejam esquecidas.

Mitos e Lendas Associados

Além dos sons de “choro”, alguns dizem que, em certos dias, as sombras dos escravos enforcados podem ser vistas nos galhos secos, um mito que reforça a aura de mistério em torno da árvore.

Algumas versões da lenda também mencionam que a árvore tinha o poder de curar doenças, especialmente problemas respiratórios, uma crença que levou muitas pessoas a procurá-la em busca de alívio.

A “Árvore dos Enforcados” permanece um ponto de interesse histórico e cultural em Araxá, um lugar onde o passado e o presente se encontram, e onde lendas continuam a alimentar a imaginação popular.

Imagens: Reprodução/Internet

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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