BRASIL OUTRA VEZ FORA DO MAPA DA FOME  

BRASIL OUTRA VEZ FORA DO MAPA DA FOME

BRASIL OUTRA VEZ FORA DO MAPA DA FOME  

Com menos de 2,5% da população em subnutrição, país cumpre meta antes do previsto; em dois anos, 24 milhões saíram da insegurança alimentar. 

Por Redação Focus Brasil

É a segunda vez na história que o Brasil sai do Mapa da Fome por um governo petista – a primeira vez foi em 2014, com Dilma Rousseff, após mais de uma década de políticas públicas de êxito. Vinte anos depois de colocar o combate à fome no centro da política nacional, Luiz Inácio Lula da Silva vê novamente o país deixar a lista da ONU de nações com subalimentação crônica. 

O relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2025”, divulgado pela FAO nesta segunda-feira (28), confirma: com menos de 2,5% da população em situação de subnutrição, o Brasil está fora do Mapa da Fome. A meta, que constava no programa de governo de Lula, foi atingida dois anos antes do previsto.

O dado, calculado com base na média dos anos de 2022 a 2024, revela um esforço intenso de reconstrução institucional e combate à miséria. Em apenas dois anos, o país conseguiu reverter um dos legados mais dramáticos do bolsonarismo: a volta da fome em massa. 

A insegurança alimentar grave, que atingia mais de 33 milhões de brasileiros em 2021, recuou a patamares históricos. Foram retiradas da fome cerca de 24 milhões de pessoas até o fim de 2023.

Segundo a FAO, estar no Mapa da Fome significa ter mais de 2,5% da população em subalimentação crônica, ou seja, sem acesso regular a calorias mínimas para uma vida saudável. 

O Brasil havia deixado essa lista em 2014, ao final do ciclo de expansão das políticas sociais inauguradas por Lula e mantidas por Dilma Rousseff. Voltou em 2021, sob o impacto do desmonte de programas sociais, dos cortes de orçamento e da gestão negacionista durante a pandemia. Com o retorno da fome e a explosão da pobreza extrema, o país viu retroceder conquistas que haviam se tornado referência mundial.

A RECONSTRUÇÃO COMO RESPOSTA 

Em seu terceiro mandato, Lula colocou a fome novamente como prioridade nacional. Criou o Plano Brasil Sem Fome, restaurou o Bolsa Família, ampliou o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e promoveu ações interministeriais voltadas à segurança alimentar, ao combate à desigualdade e à geração de renda. 

A atuação conjunta dos ministérios garantiu foco na equidade de gênero, com políticas voltadas a mulheres rurais, comunidades tradicionais e famílias em situação de vulnerabilidade.

O impacto foi imediato. Em 2024, o desemprego caiu a 6,6%, a menor taxa desde 2012, e a renda dos 10% mais pobres cresceu 10,7%, ritmo 50% superior ao dos 10% mais ricos. A classe média, pela primeira vez em anos, voltou a crescer, atingindo 52% da população. O índice de Gini, que mede a desigualdade, caiu para 0,506, o menor da série histórica. O Brasil também bateu recorde de rendimento domiciliar per capita, que alcançou R$ 2.020.

Programas como o CadÚnico e o Bolsa Família foram decisivos: 98,8% das 1,7 milhão de vagas de trabalho com carteira assinada em 2024 foram preenchidas por pessoas inscritas nos programas sociais, das quais 75,5% eram beneficiárias do Bolsa Família. 

Em julho de 2025, cerca de 1 milhão de famílias deixaram de precisar do programa, evidência de que a inclusão produtiva e a retomada do emprego estão surtindo efeito real na vida das pessoas.

A MARCA DE LULA E O PAPEL DO ESTADO 

Ao celebrar a conquista com o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, Lula afirmou: “Hoje sou o homem mais feliz do mundo. E quero ser um soldado mundial no combate à fome e à pobreza”. Em setembro de 2024, o presidente recebeu o Prêmio Goalkeepers, da Fundação Bill e Melinda Gates, por seu histórico de combate à fome. 

O reconhecimento internacional reforça uma evidência: justiça social exige a presença do Estado. Para o ministro Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social, a saída do Mapa da Fome representa o cumprimento da missão central do governo. 

“É o Brasil vencendo. A redução da miséria para menos de 4,4%, o menor índice da história, mostra que políticas públicas bem aplicadas mudam destinos.”

A superação da insegurança alimentar, além de restaurar a dignidade de milhões, reafirma a centralidade da política pública. O combate à fome não é retórica, é resultado. E quando o povo volta a comer, o Brasil volta a ser país.

Fonte: Fpabramo. Capa: MEC

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Foto: MEC

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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