FEMINICÍDIO: MULHERES NEGRAS SOMAM 68% DAS VÍTIMAS
Segundo a pesquisa “Quem são as Mulheres que o Brasil não protege”, da Fundação Friedrich Ebert no Brasil, o registro de mortes de mulheres em razão do gênero cresceu 176% em dez anos após a promulgação da Lei do Feminicídio.
Por Guto Alves e Rose Silva
Passou de 527 casos, em 2015, para 1.455. O estudo aponta que 68% das mulheres assassinadas nesse período eram negras. Enquanto os casos envolvendo mulheres brancas apresentaram leve declínio, o feminicídio aumentou entre mulheres pretas e pardas.
Para a pesquisadora Jackeline Ferreira Romio, autora do estudo, os dados mostram que políticas de enfrentamento à violência precisam considerar raça e classe.
“Existem populações mais vulnerabilizadas, que sofrem violências múltiplas, e isso impacta eventos extremos como a mortalidade por feminicídio. Para que a política chegue às mulheres negras, ela precisa ser interseccional, considerar a relação entre racismo e violência de gênero. Se não houvesse racismo institucional, não veríamos essa concentração de 68%.”
Ela destaca que as estatísticas de segurança pública são subestimadas, já que nem todas as mortes violentas de mulheres são investigadas. Dados da saúde apontam que entre 3.500 e 4 mil mulheres morrem por causas violentas por ano no Brasil, das quais cerca de 2.500 são vítimas de feminicídio.
Pesquisa da Fundação Perseu Abramo, em parceria com o Sesc São Paulo, mostra que relatos espontâneos de violência entre mulheres aumentaram de 18%, em 2010, para 23%, em 2023.
Guto Alves – Jornalista
Rose Silva – Jornalista
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p style=”text-align: justify;”>Excerto de matéria publicada na Revista Focus Brasil, edição 219, dezembro 2025. Leia a matéria completa em: https://fpabramo.org.br/focusbrasil/2025/12/09/feminicidio-manifestacoes-em-20-estados-denunciam-ciclo-continuo-de-violencia/