BANCOS: GESTÃO PELO MEDO PRODUZ DOENÇAS MENTAIS
“Não existe a felicidade no trabalho. Essa é uma falsa promessa”, sentencia Ana Magnólia, doutora em Psicologia Social e do Trabalho, uma das mais destacadas especialistas em saúde mental, psicodinâmica do trabalho, sofrimento psíquico e riscos psicossociais no ambiente laboral.
“Hoje as empresas têm um discurso de promessa falaciosa, que eu chamo de discurso capitalista colonial, um canto de sereia, onde os trabalhadores terminam se automedicando, medicalizam seu próprio sofrimento pelo medo, o medo de ser descomissionado, o medo de ser demitido, mas acima de tudo o medo de ser constrangido, o medo de ser excluído, o medo de ser humilhado, o medo de passar vergonha”, constata a pesquisadora.
Para ela, “a vergonha é hoje um fenômeno que existe no ambiente de trabalho e faz com que o trabalhador entre numa modalidade de servidão voluntária, de submissão, de alienação, não porque ele quer, não porque ele é frágil, não porque ele tem esse perfil. É em função do modelo, do sistema perverso de metas”.
“O MEDO É USADO COMO ESTRATÉGIA PARA NOS TORNAR OBEDIENTES”
O medo de ser punido, de ser desprotegido, de ser desamparado, acrescenta Ana Magnólia, “são medos que fazem parte da constituição humana e que começam a ser fabricados por um discurso dentro da instituição, que vai por meio da intimidação produzir a ansiedade.
Então, o medo institucional é o medo produzido, é o medo que tem como propósito manipular e controlar você que trabalha na instituição financeira. O medo é usado como uma estratégia de gestão, deliberada, para aterrorizar a nossa psique e fazer com que fiquemos obedientes”.
Esse texto é o primeiro de uma série. Nas próximas semanas, a Fetec-CUT/CN vai apresentar, sempre acompanhados de vídeos curtos, mais informações sobre os resultados da pesquisa da Federação Centro-Norte.
E, no dia 24 de fevereiro, a Fetec-CUT/CN fará uma live com a participação da professora Ana Magnólia, que vai conversar pessoalmente com os trabalhadores e trabalhadoras do ramo financeiro no Centro-Norte sobre os resultados da pesquisa e o combate às práticas de violência organizacional por parte dos bancos que levam à epidemia de adoecimentos mentais que assola a categoria.

Fonte: Fetec-CUT/CN.











