A Ariramba
Quem nasce em Barreirinha, pátria minha, o povo da floresta chama de ariramba. Os de Manicoré, como o querido Coriolano Lindoso, são chamados de bacurau, pássaro noturno.
Por Thiago de Mello

Reprodução/Internet
Caboclo bom não padece de falsa modéstia. Digo contente que sou ariramba. É o nome de uma ave azulada, peito branco, bico comprido, célere de voo. Manhã de sol intenso, ela fica mais azul. Voa rasteira e faz ninho num buraco de barranco.
Quem nasce em Barreirinha, pátria minha, o povo da floresta chama de ariramba. Os de Manicoré, como o querido Coriolano Lindoso, são chamados de bacurau, pássaro noturno.
Thiago de Mello – Poeta maior da Amazônia, em “Amazonas: Águas, Pássaros, Seres e Milagres”. Editora Salamandra, 1998.

Foto: Wiki Aves
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O bem-te-vi que me perdoe, mas há momentos matinais em que seu canto chega a incomodar, repetindo com insistência que me viu, que me viu…
São muitos, um repete a cantiga do outro. Mas tudo é perdoável, pela beleza do peito amarelo e a raja branca que lhe vai do bico, passa entre os olhos e atravessa a cabeça.
É tremendamente machista: dá bicadas na fêmea em pleno voo, quando está louco por ela.
Do que mais gosto nele é a valentia: investe furioso contra o gavião que lhe quer tirar os filhotes do ninho. Não espera o ataque. Sai ao encontro do rapineiro, que encolhe as garras.
Thiago de Mello – Poeta Maior da Amazônia, em “Amazonas: Águas, Pássaros, Seres e Milagres”. Salamandra, 1998.
