Ainda temos o SUS

Ainda temos o SUS

Ainda temos o SUS e devemos lutar com garras e dentes para não perdê-lo. Se fosse o SUS tão ruim como pregam os desmanteladores da Pátria, por quê teriam interesse nele?

Por Ronivaldo de Oliveira Rego Santos

Tragédia anunciada?!
Saúde colapsada
Desde sua alvorada
O SUS é, por negacionistas,
Dissecado,
Amaldiçoado,
Vilipendiado…
Egoístas…
Não reconhecem, nem de longe,
Sua importância
Sua ressonância
Nesse momento de Pandemia
Por irresponsabilidade de alguns governantes
[como regra, pouco atuantes]
Por ganância
Por arrogância
Em nome de alguma fantasia
Dos famigerados devaneios do mercado,
De uma pseudo-economia
Naturalizaram a carnificina.
[ Que sina!]
Bestializados, nada lhes causa, sequer, agonia.
A tragédia já era anunciada
Pessoas morrendo
[Numa sociedade esvaziada]
E, ainda assim, muitos aplaudindo,
Outros em clementes manifestações,
Carreatas
Frequentemente, às portas do Planalto
[Aplaudindo o mandante do Assalto]
Nem de longe, o lado bom desse cadafalso.
Tratam a vida (dos outros) como algo banal.
Mas, ainda temos o SUS,
Sim, ainda temos o SUS!
Se a tragédia será grande?
[Sim, provavelmente]
Mas ainda temos o SUS,
Tão jovem, persistente,
Com seus pouco mais de 30 anos,
Mais uma vez é o protagonista, resistente
O Único capaz de minimizar, da nossa gente, o sofrimento,
Pois, Saúde é seu fundamento!

Então, coloque em sua mente, que,
Independente da dimensão da catástrofe
[e aparentemente será enorme]
Ela seria maior
[e digo com clareza]
Se não fosse o poder
Se não fosse a capilaridade
Se não fosse a gratuidade
Se não fosse a grandeza
Se não fosse o nosso SUS,
Disso tenho certeza.
Essa crise, só não será apocalíptica
[embora eminente]
Por que temos o SUS
Sim, por que temos o SUS…
[… Resiliente!]

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PROF. RONI

Prof. Me. Ronivaldo de Oliveira Rego Santos é Graduado em Pedagogia (UEG-Campus Campos Belos). Esp. Ensino de Filosofia (Universidade Cândido Mendes). Mestre em História (Pontifícia Universidade Católica de Goiás). Professor da Rede Municipal de Ensino de Campos Belos. Professor da UEG – Campus Campos Belos.


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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