AS ROTAS DA SEDA NO SÉCULO ASIÁTICO

AS ROTAS DA SEDA NO SÉCULO ASIÁTICO

AS ROTAS DA SEDA NO SÉCULO ASIÁTICO

A expressão “rotas da seda” serve para descrever as formas como se entreteceram povos, culturas e continentes, e que, ao fazê-lo, nos ajuda a compreender o modo em que no passado se propagaram as religiões e os idiomas e a mostrar como, nesta parte do mundo, distintas ideias sobre a comida, a moda e a arte se difundiram, competiram entre si e influenciaram umas às outras.

Por Emir Sader

As rotas da seda ajudam a esclarecer o lugar central que ocupam o controle dos recursos e o comércio de longa distância e, portanto, explicam os contextos das expedições que contribuíram para dar forma ao surgimento dos impérios e os motivos que as animavam a cruzar desertos e oceanos.

As rotas da seda mostram como se estimulou a inovação tecnológica ao longo de milhares de quilômetros e como a destruição da violência e das doenças frequentemente seguiu as mesmas pautas. 

Ao nos ensinar a ver os ritmos da história, as rotas da seda nos permitem entender que o passado não é um de períodos de regiões isoladas e com limites definidos, mas que, na realidade, o mundo esteve conectado durante milênios, em um passado global, mais amplo e inclusivo.

Por mais que existam outros temas, são os países que compõem a Rota da Seda que verdadeiramente importam no século XXI. 

As rotas da seda ocupam um lugar tão central que é impossível compreender o que acontece ou pensar com o que vamos nos deparar amanhã sem levar em conta a região que se estende entre o Mediterrâneo Oriental e o Pacífico. Na Ásia, as rotas da seda são onipresentes.

Já vivemos no século asiático, numa época em que o produto interno bruto global está se deslocando das economias desenvolvidas do Ocidente para as do Oriente em uma escala e velocidade assombrosas. 

Algumas projeções preveem que, em 2050, a renda per capita se multiplicará por seis na Ásia, o que tornaria ricos outros três bilhões de habitantes do continente. O que significa que a Ásia recuperaria a posição econômica de uns 300 anos atrás, antes da Revolução Industrial.

A transferência do poder global para a Ásia se dá na direção de um processo de reversão do caráter que tinha o mundo antes da ascensão do Ocidente. Um cálculo prevê que, para o ano de 2027, o PIB combinado das cidades asiáticas já será maior que o das norte-americanas e europeias, e se espera que, só oito anos depois, as supere em 17%.

Nesse grande movimento que experimenta o PIB mundial nas últimas décadas, só na China mais de 800 milhões de pessoas saíram da pobreza desde a década de 1980. Em 2002, o PIB da China era 39% do PIB dos EUA. Em 2008, o indicador tinha aumentado para 60% e, em 2016, o PIB da China já era de 114% do norte-americano, com uma tendência nessa direção cada vez mais favorável ao país asiático.

A população da Ásia, que ascende a quatro bilhões de habitantes, é cada vez mais numerosa e rica. Nenhuma das 10 economias que mais crescem atualmente se encontra no hemisfério ocidental. Configura-se assim um mundo cujo centro de gravidade econômica está se distanciando do Ocidente.

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p style=”text-align: justify;”>Emir Sader – Sociólogo. Conselheiro da Revista Xapuri. Fonte: https://www.brasil247.com/blog/as-rotas-da-seda-no-seculo-asiatico

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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