Contra o imperialismo, Brasil se mobiliza em solidariedade à Venezuela

BRASIL VAI ÀS RUAS EM SOLIDARIEDADE À VENEZUELA

Contra o imperialismo, Brasil se mobiliza em solidariedade à Venezuela

Protestos realizados em capitais brasileiras expressam apoio ao povo venezuelano, rejeitam escalada militar dos EUA na região e reafirmam a América Latina como zona de paz

Por Barbara Luz/Portal Vermelho

Manifestações em defesa da Venezuela e da soberania da América Latina tomaram as ruas de diversas capitais brasileiras nesta segunda-feira (5), consolidando uma resposta popular e progressista à ofensiva dos Estados Unidos contra o país sul-americano. Os atos denunciaram o ataque militar, o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, e reafirmaram o direito dos povos latino-americanos à autodeterminação, sem ingerência externa.

As mobilizações reuniram estudantes, trabalhadores, movimentos populares, organizações feministas, sindicais e partidos políticos, em uma jornada marcada por forte caráter internacionalista. Em palavras de ordem, faixas e discursos, os manifestantes denunciaram o imperialismo norte-americano, rejeitaram a lógica da guerra e defenderam a América Latina como zona de paz, construída a partir da soberania dos povos e da integração regional.

Belo Horizonte: “Continuaremos mobilizados”

Em Belo Horizonte, centenas de pessoas ocuparam a Praça Sete, no centro da capital mineira, em ato convocado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. A mobilização denunciou o sequestro de Maduro como uma violação flagrante do direito internacional e alertou para os riscos de naturalização de intervenções militares na região.

082b6f44 de2e 4170 aca4 673750b3c1de 1024x768 1
Foto: Ana Carolina Vasconcelos

Manifestantes ressaltaram que a ofensiva contra a Venezuela não se trata de um episódio isolado, mas de uma ameaça que pode se estender a qualquer país latino-americano. O protesto foi marcado por falas que apontaram os interesses geopolíticos e econômicos por trás da ação dos EUA, especialmente a disputa por recursos naturais estratégicos. Ao final, os participantes reforçaram que a luta não se encerra ali. “Continuaremos mobilizados”, afirmaram lideranças, indicando a disposição de manter a pressão popular nos próximos dias.

São Paulo: repúdio ao imperialismo e denúncia do saque

Na capital paulista, o ato ocorreu em frente ao Consulado dos Estados Unidos, na zona sul da cidade, e reuniu movimentos populares, juventudes estudantis e organizações sindicais. A manifestação foi marcada por palavras de ordem contra o imperialismo, pela queima simbólica de bandeiras dos EUA e por denúncias do sequestro do presidente venezuelano como um verdadeiro ato de guerra.

Durante o protesto, lideranças dos movimentos sociais destacaram que a agressão à Venezuela expressa uma tentativa histórica de submeter a América Latina aos interesses de Washington, retomando a lógica da Doutrina Monroe. Representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirmaram que a ação norte-americana está diretamente ligada ao controle do petróleo venezuelano e anunciaram iniciativas de solidariedade concreta ao povo do país vizinho.

55026195195 ed45b2f7d7 c

Durante o ato, a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, afirmou que a mobilização expressa a rejeição da juventude brasileira à intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e denunciou o sequestro do presidente Nicolás Maduro como um ataque à soberania regional.

“O sequestro de um chefe de Estado da América do Sul é um ataque sem precedentes não só à soberania da Venezuela, mas de toda a América Latina”, declarou.

55026195275 45809bdb3f c

Para a dirigente estudantil, a ofensiva norte-americana representa “a reedição da Doutrina Monroe”, cujo legado, segundo ela, é “a destruição da democracia e a ameaça a qualquer país que se negue a se ajoelhar diante dos interesses dos Estados Unidos”. Bianca também alertou que “hoje é a Venezuela, amanhã pode ser o Brasil ou qualquer outro país”, defendendo que a América Latina “não será zona de guerra”.

Rio de Janeiro: Cinelândia reúne juventude contra intervenção

No Rio de Janeiro, manifestantes se concentraram na Cinelândia, no centro da cidade, em ato que integrou a jornada nacional de mobilizações em solidariedade à Venezuela. O protesto reuniu estudantes e militantes de movimentos populares, reafirmando o caráter juvenil da mobilização contra a ofensiva dos Estados Unidos na região.

O presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Hugo Silva, também participou do ato e afirmou que a juventude não aceitará qualquer tentativa de submissão da América Latina aos interesses dos Estados Unidos.

“A América Latina não se rende. Hoje, ela se coloca de pé para defender a sua soberania”, declarou. Hugo afirmou ainda que estudantes de todo o país ocuparam as ruas em solidariedade ao povo venezuelano e em defesa da liberdade do presidente Nicolás Maduro. Em sua fala, o dirigente atacou diretamente o presidente dos Estados Unidos, afirmando que “Donald Trump tem que tirar as suas patas e as suas mãos sujas de sangue da América Latina”.

Brasília: marcha até a Embaixada dos EUA

No Distrito Federal, cerca de 250 pessoas participaram de um ato unificado que começou no Museu Nacional da República e seguiu em marcha até a Embaixada dos Estados Unidos. Com bandeiras, faixas e gritos como “Fora Trump da América Latina” e “A América Latina vai ser toda socialista”, os manifestantes denunciaram a política externa norte-americana como uma ameaça à soberania regional.

O protesto reuniu estudantes, movimentos sociais, organizações feministas e militantes de esquerda, que enfatizaram o caráter internacionalista da mobilização. Para os participantes, o que está em jogo vai além da situação específica da Venezuela: trata-se de barrar um precedente perigoso que autoriza os EUA a intervir militarmente em qualquer país que não se submeta aos seus interesses. Falas durante o ato destacaram que defender a Venezuela é, também, defender o Brasil e o futuro da América Latina.

Mobilização nacional e unidade latino-americana

Além de Belo Horizonte, São Paulo e Brasília, atos foram registrados no Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Florianópolis, São Luís, Aracaju e Fortaleza, demonstrando a capilaridade da resposta popular em todo o país. Em várias cidades, a presença da juventude estudantil foi marcante, reforçando o protagonismo das novas gerações na defesa da soberania e contra a guerra.

As manifestações desta segunda dialogam com a ampla repercussão internacional do caso e com o posicionamento de governos e entidades que condenaram a ação militar dos Estados Unidos. Para os organizadores, a resposta nas ruas é fundamental para fortalecer a pressão diplomática e afirmar que a América Latina não aceita ser tratada como quintal de nenhuma potência.

Ao final dos atos, entidades reforçaram que a jornada de mobilização continua. “Defender a Venezuela é defender o direito dos povos de decidirem seus próprios caminhos, sem sequestros, bombardeios ou tutelas externas”, sintetizaram os manifestantes, reafirmando a solidariedade ativa ao povo venezuelano e o compromisso com uma América Latina soberana, integrada e em paz.

__

com informações de agências

Fonte: Portal Vermelho Capa: Paulo Pinto/Agência Brasil

Deixe seu comentário

UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

PARCERIAS

CONTATO

logo xapuri

REVISTA