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Chico Mendes tem exposição permanente em Brasília

Chico Mendes Herói do Brasil tem exposição permanente em Brasília

O Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) inaugurou em novembro a exposição permanente “Chico Mendes Herói do Brasil”. A mostra ficará instalada no Espaço Educador Chico Mendes, na Chácara do Professor, localizada no Núcleo Rural Alexandre Gusmão, em Brazlândia.

O projeto que registra a trajetória de vida e de lutas do líder sindicalista e ambientalista Chico Mendes nos seringais do Acre, e no coração da Amazônia é uma parceria entre o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Xapuri-Acre, o Memorial Chico Mendes e o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS).

Produzida pela Revista Xapuri Socioambiental, a exposição é composta por quadros impressos em papel canvas, com molduras em madeira de demolição. A atividade de lançamento contou com a presença de Angela Mendes, filha de Chico Mendes; Raimundo Mendes de Barros, primo e companheiro de lutas de Chico Mendes; Júlia Feitoza Dias, companheira de lutas e apoiadora de Chico Mendes no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Xapuri; Joaquim Correa de Souza Belo, presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e mais de 30 lideranças comunitárias do movimento extrativista da Amazônia e dos demais biomas brasileiros.

Quem foi Chico Mendes

 Nascido num seringal no Acre e criado em família de seringueiros, Chico Mendes começou a trabalhar aos 12 anos para substituir o pai no sustento da casa. Em 1970, chamou a atenção de fazendeiros por sua atuação no sindicalismo e por liderar manifestações pela preservação da Amazônia — em um momento em que, a fim de se expandir a agropecuária, o desmatamento começava a avançar na floresta.

Segundo relatos, ele era bom na lida com o látex das árvores e chegou a ser premiado o seringueiro mais produtivo no lugar onde vivia. Insatisfeito com as condições de trabalho — marcadas, segundo ele, pela exploração de grandes proprietários —, iniciou a vida sindical em 1975. Dois anos depois, fundou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri.
Em 1985, liderou o 1º Encontro Nacional de Seringueiros, no qual foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros, principal referência da categoria.

Como sindicalista, Mendes passou a organizar manifestações de seringueiros para impedir o desmatamento, que afetava seus modos de vida. Uma de suas táticas de ação ficou conhecida como “empate”, forma de manifestação em que seringueiros se colocavam à frente de uma área a ser devastada. Como contraproposta, ele defendia a criação de reservas extrativistas, áreas protegidas e utilizadas de forma sustentável para o trabalho dos povos da floresta.

Chico Mendes foi assassinado por um tiro de escopeta em frente à sua casa, na cidade de Xapuri, no Acre. Tudo aconteceu em 22 de dezembro de 1988, sete dias depois de completar 44 anos. Naquele dia, o ativista estava acompanhado por dois policiais responsáveis por sua segurança — que, de dentro de casa, não conseguiram evitar o crime. Ameaçado meses antes, Mendes foi morto pelo fazendeiro Darly Alves da Silva e seu filho, que planejavam transformar numa grande propriedade o território que o ativista defendia.

Até hoje, 30 após sua morte, os ideais de Chico Mendes ainda são considerados a melhor maneira de proteger a floresta.

 


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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