CIENTISTA MEXICANA CRIA TRATAMENTO PARA HPV COM LUZ

CIENTISTA MEXICANA CRIA TRATAMENTO PARA HPV COM LUZ

CIENTISTA MEXICANA CRIA TRATAMENTO PARA HPV COM LUZ

Estudo avalia terapia que busca preservar o colo do útero e apresenta resultados diferentes entre os grupos tratados.

Por Eduardo Pereira

A pesquisadora Eva Ramón Gallegos, do Instituto Politécnico Nacional do México, liderou um estudo sobre o uso da terapia fotodinâmica no tratamento da infecção por HPV e de lesões de baixo grau no colo do útero. O trabalho com 29 mulheres da Cidade do México apresentou resultados promissores. A proposta é ampliar as possibilidades de tratamento preservando o tecido saudável.

Os resultados foram divulgados pelo instituto em 2019 e publicados em 2023 na revista Photochemistry and Photobiology. As participantes tinham diagnósticos diferentes: HPV sem lesões, HPV acompanhado de neoplasia intraepitelial cervical de grau 1 (NIC 1) ou NIC 1 sem detecção do vírus.

Segundo o IPN, o vírus deixou de ser detectado em todas as participantes do grupo com HPV sem lesões. Entre as mulheres com HPV e lesões, a eliminação viral ocorreu em 64,3%. No grupo com lesões sem detecção do vírus, houve sucesso no tratamento das alterações em 57,2%. O artigo apresenta resultados aos seis meses, mas informa que, neste último grupo, a melhora não atingiu significância estatística. O índice de 100%, portanto, não se aplica às 29 mulheres em conjunto.

A técnica, chamada terapia fotodinâmica, começa com a aplicação de ácido aminolevulínico no colo do útero. Nas células, ele dá origem a uma substância sensível à luz. A iluminação direcionada desencadeia então reações capazes de destruir células alteradas. Nesse grupo, o tratamento foi aplicado duas vezes, com intervalo de 48 horas. O projeto registra relatos de irritação leve na região genital após o procedimento.

A própria infecção pelo HPV costuma ser controlada pelo organismo, o que exige comparações adequadas para estabelecer o benefício de uma intervenção. O estudo abre uma possibilidade de cuidado, mas não comprova uma cura definitiva do HPV nem do câncer. Enquanto a investigação avança, vacinação, rastreamento e tratamento oportuno das lesões precursoras seguem essenciais para prevenir a doença.

Eduardo Pereira – Sociólogo.

Texto originalmente publicado em: https://agenciaaids.com.br/noticias/cientista-mexicana-desenvolve-tecnica-que-elimina-100-do-virus-hpv-destaca-metropoles/

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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