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Lá vai o conje marreco a Curitiba se isolar

Lá vai o conje marreco a Curitiba se isolar

Por João Paulo Rillo

Neste momento, a prioridade das prioridades é derrotar o fascismo representado pelo bolsonarismo e salvar milhares de vidas gravemente ameaçadas pela forma criminosa com que o presidente da República, o seu governo e apoiadores.

Em seguida, teremos que derrotar o bom mocismo fascista representado pelo ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro, desde sempre apoiado pela rede Globo.

Eles andaram se estranhando, mas defendem a mesma agenda política e econômica nociva ao povo e aos trabalhadores.

Isso que me levou a produzir peças de teatro que desconstruam e revelem o que representa  Moro para além da nossa bolha de seguidores.

O humor crítico e direto tem esse alcance.

Daí, eu ter feito uma paródia de O Pato, do gigante Vinícius de Moras.

O Pato original tem letra e música de Vinícius.

No caso da paródia, a letra (veja abaixo) é minha.

A voz do vídeo (no  topo) é de Zeca Barreto.

Arte, de Lucas de Lima, do Desenhativo Estúdio Criativo

O pato

Lá vai o pato
Pato aqui, pato acolá
Lá vai o pato
a Curitiba se isolar

Lá vai o pato
Pato aqui, pato acolá
Lá vai o pato
outro cargo a procurar

O pato juizéco
deixou a carreira
entrou no planalto
raspando a soleira

Pulou no fascista
um corvo serviu
Traiu Curitiba
Também o Brasil

Dormiu abraçado
Com o filho Carluxo
engasgou com Eduardo
Inflamou o buxo

Deu dor de barriga
Na investigação
Queiroz é bandido
E o Flavinho ladrão

O governo começa
Só tem confusão
Explode a verdade
Sobre a eleição

A base implodiu
O pato ta reta
Se finge de morto
E a Joice corneta

O que todos sabiam
Em todo brasil
A eleição foi fraudada
Com fake news

Com tanta evidencia
não teve depois
a PF enquadro
o filho zero dois

O Bozo maluco
Ta fora do eixo
Mando o pato a merda
Sumiu com o Valeixo

O pato perdido
Não teve opção
Pediu pra sair
Assumiu a pensão

Agora começa
A manipulação
O pato bandido
Vira salvação

Saiu atirando
Soberbo e pomposo
Como se não fosse
Um pato criminoso

O pato abalado
Com toda essa historia
Espera um carguinho
Do Witzel e pro Doria

Saiu machucado
Sangrando com dor
Sacou que o Brasil
Não é pra amador

*João Paulo Rillo é diretor de teatro, militante do PSOL e ex-deputado estadual paulista. Escute:

http://www.viomundo.com.br/wp-content/uploads/2020/05/o-pato-legendado.mp4?_=1

Fonte: Viomundo

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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