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Por um mundo mais solidário, com mais paz, mais esperança: Feliz Dia das Mães!

Por um mundo mais solidário, com mais paz, mais esperança: Feliz Dia das Mães!

Por Rita Santiago

“É preciso educar para a esperança”.

Dizia sempre a Dra. Zilda Arns, mãe de  milhares crianças do Brasil e do mundo que “A paz é uma conquista coletiva. Tem lugar quando encorajamos as pessoas, quando promovemos os valores culturais e éticos, as atitudes e práticas da busca do bem comum.” Neste momento de enfrentamento desta terrível pandemia, onde o que pode nos salvar é a esperança de um mundo mais solidário, compartilho com você, querida mãe, esta linda biografia da Dra Zilda, escrita por uma mãe formosense, a escritora Iêda Vilas-Bôas. Que o exemplo desta mulher extraordinária nos dê muita força e energia para seguir lutando para que todas as mães deste mundo venham a viver tempos melhores, mais justos, mais humanos e mais felizes.

Rita desenho Heloisa

ZILDA ARNS, SEMEADORA DE SABERES, MULTIPLICADORA DE SOLIDARIEDADE 

Por Iêda Vilas-Bôas

Zilda Arns Neumann nasceu em Forquilhinha-SC, em 25 de agosto de 1934, e faleceu, cumprindo sua missão de ajudar ao próximo, em Porto Príncipe, no Haiti, em 12 de janeiro de 2010. Era a 13ª filha, de um total de 16 filhos, do casal brasileiro de origem alemã, Gabriel Arns e Helene Steiner.

As primeiras lições de partilha, solidariedade e amor ao próximo, Zilda aprendeu em casa. Casou-se, em 1959, com Aloísio Bruno Neumann (1931–1978), e com ele teve seis filhos: Marcelo (falecido três dias após o parto), Rubens, Nelson, Heloísa, Rogério e Sílvia (falecida em 2003). Zilda Arns foi avó de muitos netos.

Zilda, a irmã de Dom Paulo Evaristo Arns, tornou-se grande por ser fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).  Por seu trabalho comunitário e solidário é que lhe devemos todas as homenagens, recebidas em vida e post-mortem. Como profissão, escolheu a medicina: foi uma pediatra e sanitarista brasileira.

Assim, compreendendo que somente através da educação e do trabalho humanitário é que poderia combater a maior parte das doenças de fácil prevenção e a marginalidade imposta às crianças, desenvolveu um método criativo, de fácil aplicação para a multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres.

Zilda, por ser católica, baseava-se no milagre bíblico da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram cinco mil pessoas, como narra o Evangelho. E a exemplo de seu mestre Jesus Cristo, passou a nutrir esperanças através da educação alimentar.

Criou a Multi-Mistura e de certa forma foi a criadora dos agentes de saúde, pois capacitou pessoas para pesar, ensinar a preparar a Multi-Mistura, e também para que acompanhassem o desenvolvimento das crianças.

Sua proposta de trabalho com as crianças subnutridas se espalhou pelo Brasil e correu mundo. Em 1980 foi convidada pelo Governo do Estado do Paraná para coordenar a campanha de vacinação Sabin de forma a conter a primeira epidemia de poliomielite, que havia começado no Estado.

Uma vez mais, Dra. Zilda Arns colocou a criatividade e os bons sentimentos em prática e criou um método próprio, depois adotado pelo Ministério da Saúde. Somando várias funções, ainda dividia seu tempo como como membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Assim, realizando trabalhos em prol das comunidades de risco, no mesmo ano, foi também convidada a dirigir o Departamento Materno-Infantil da Secretaria da Saúde do Paraná, onde instituiu com extraordinário sucesso os programas de planejamento familiar, prevenção do câncer ginecológico, saúde escolar e aleitamento materno. Precursora e humanitária mulher!

Em 1983, a pedido da CNBB, criou a Pastoral da Criança e deu início às inúmeras experiências de sucesso tendo por público-alvo crianças menores de seis anos e famílias pobres em 4.060 municípios brasileiros, gerando ao seu redor uma legião de voluntários que esparramaram solidariedade, conhecimento, amor e esperança, atuando em áreas da saúde, nutrição, educação e cidadania. Sobretudo, levava para os excluídos a esperança de que eles poderiam mudar de vida e serem protagonistas de sua própria transformação social.

Seu método inovador, que consistia em multiplicar o saber e a solidariedade, era composto por três instrumentos estratégicos utilizados a cada mês: Visita domiciliar às famílias, Dia do Peso, também chamado de Dia da Celebração da Vida, e Reunião Mensal para Avaliação e Reflexão das mudanças geradas. Zilda seguia a vida nesse círculo itinerante de amor, esperança e solidariedade.

Encontrava-se em Porto Príncipe, no Haiti, em missão humanitária, para introduzir a Pastoral da Criança no país. No dia 12 de janeiro, proferia palestra para 150 pessoas, dentre elas 15 religiosos de Cuba, cujo país havia sido atingido por um violento terremoto. No momento de seu discurso aconteceu uma catástrofe. As paredes da igreja desabaram. O Haiti também acabava de ser vítima de um terremoto. Zilda foi vítima fatal, em pleno vigor de seus 75 anos.

Seu discurso ficou inacabado, ou talvez Zilda Arns continue a bradar pelo infinito sobre a importância de cuidar das crianças “como um bem sagrado”, promovendo o respeito a seus direitos e protegendo-as, “tal qual os pássaros cuidam dos seus filhotes”.

Rita Santiago, mãe Aline, da Laís e do Maurício, avó carinhosa da Júlia e da Heloísa, é pré-candidata a vereadora pelo Partido dos Trabalhadores (PT) de Formosa, Goiás, nas eleições de 2020. A ilustração interna é da neta de Rita, Heloísa Hortêncio Santiago. 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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