VEREADORA LUDMYLLA MORAIS: VOZ DA EDUCAÇÃO

VEREADORA LUDMYLLA MORAIS: VOZ DA EDUCAÇÃO

VEREADORA LUDMYLLA MORAIS: VOZ DA EDUCAÇÃO NA CÂMARA MUNICIPAL DE GOIÂNIA 

Após 50 anos, uma professora assume o mandato de vereadora em Goiânia. Com essa conquista histórica, a Educação pública passa a ter, de forma legítima, uma voz forte, combativa e comprometida dentro da Câmara Municipal.

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Em 3 de março de 2026, a Professora Ludmylla Morais (PT) tomou posse como vereadora na Câmara Municipal de Goiânia, em um momento histórico para a Educação pública da capital. A vereadora assume a vaga do vereador Professor Edward (PT), que se licenciou do exercício do mandato por 121 dias para se dedicar à pré-campanha eleitoral.

Vice-presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (SINTEGO), a Professora Ludmylla recebeu 2.968 votos nas últimas eleições. Em seu primeiro discurso como vereadora empossada, Ludmylla reforçou seu compromisso com cada trabalhador/a da Educação:

“Os e as Administrativos/as da Educação terão voz todos os dias aqui dentro, no período em que estivermos aqui. As questões dos/as Professores/as, da inclusão, da sobrecarga. Essas pautas todos os dias serão debatidas nesta casa, por alguém que não só ouve falar, mas por alguém que vive cotidianamente no interior das instituições”.

Com uma trajetória construída na sala de aula e na luta sindical, na defesa firme dos direitos dos e das Administrativos/as e Professores/as e na valorização da escola pública, Ludmylla chega ao Legislativo levando a força de quem conhece a realidade das salas de aula e nunca se afastou da base. Sua posse representa mais do que a ocupação de uma cadeira: simboliza a presença ativa da Educação nas decisões que impactam a cidade.

Reconhecida por sua postura combativa, coerente e comprometida, Ludmylla consolida um novo capítulo de representatividade para a categoria, transformando a experiência sindical em ação parlamentar responsável e atuante.

A posse da vereadora Ludmylla, agora voz da Educação dentro da Câmara, contou com o prestígio da presidenta do SINTEGO e deputada estadual Bia de Lima, além da presença de colegas do sindicato, amigos, familiares e cidadãos e cidadãs que lhe deram voto de confiança nas últimas eleições, reforçando o caráter coletivo e representativo deste momento histórico.

Para o SINTEGO, este é um marco de orgulho, fortalecimento e ampliação da representatividade da Educação. A presença da Professora Ludmylla Morais na Câmara Municipal de Goiânia reafirma que a luta coletiva diária pelos/as Administrativos/as e Professores/as abre caminhos e garante que a escola pública tenha ainda mais voz, vez e protagonismo na capital.

Agora, o SINTEGO também tem uma vereadora. E essa conquista se soma a outra grande vitória da categoria: a presidenta Bia de Lima como deputada estadual da Educação.

Fonte: SINTEGO.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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