Vozes do Campo: Margaridas em Marcha

VOZES DO CAMPO: MARGARIDAS EM MARCHA

Vozes do Campo: Margaridas em Marcha

Vozes que Ecoam na Luta

Em março de 2015 começam as ações de mobilização, formação e divulgação da Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), das Federações e dos Sindicatos parceiros para a Marcha das Margaridas, agendada para os dias 11 e 12 de agosto, em Brasília.  A Marcha das Margaridas homenageia a trabalhadora rural Margarida Maria Alves, sindicalista e lutadora pelos direitos humanos, assassinada em 12 de agosto de 1983, em Alagoa Grande, na Paraíba.

MARCHA DAS MARGARIDAS 1

Para a quinta edição da Marcha das Margaridas, a maior ação protagonizada por mulheres na América Latina, foi escolhido o tema Margaridas seguem em Marcha por Desenvolvimento Sustentável com Democracia, Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade.

Uma vez mais, milhares de mulheres do Brasil inteiro, do campo e da cidade, sairão às ruas para protestar contra toda e qualquer forma de violência, apresentar propostas e fortalecer a luta por uma sociedade mais justa, menos desigual e mais igualitária para as gerações presentes e futuras.

Alessandra Lunas, Secretária de Mulheres da Contag e coordenadora geral da Marcha, expressa o sentimento das mulheres rumo a mais essa caminhada histórica: “Seguimos em Marcha! Com a nossa experiência, garra e criatividade, seguimos mobilizando companheiras em todos os municípios e estados do país, para realizarmos a Marcha das Margaridas em 2015”.

MARCHA DAS MARGARIDAS 2


 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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