Zoroastrismo: a religião persa que influenciou o ocidente
Talvez você conheça um pouco do zoroastrismo e não saiba. Isto porque esta religião persa estendeu alguma influência para produtos culturais conhecidos, como Star Wars e Game of Thrones…
Por Maura Martins/via Mega Curioso
O zoroastrismo é uma religião monoteísta estabelecida pelo profeta persa Zoroastro (também chamado de Zaratustra), que viveu em algum momento entre 1500 e 1000 a.C. Esta fé se sustenta no culto de uma divindade suprema, chamado Ahura Mazda (o Senhor da Sabedoria), que seria o criador de todas as coisas.
Antes da existência de Zoroastro, os antigos persas adoravam várias divindades. O profeta então, condenou essa prática e pregou que somente Ahura Mazda deveria ser adorado. Entende-se que essa tenha sido a primeira religião monoteísta da história da humanidade.
A influência do zorosatrismo em outras religiões

Esta religião, que também é chamada de Mazdaysna (ou mazdaísmo, que quer dizer “devoção a Mazda”), prega como princípios o culto dos bons pensamentos, boas palavras e boas ações. Sua lógica monoteísta abriria caminho para outras religiões que se tornaram grandes: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.
Além disso, Zoroastro já apresentava em seus ensinamentos algumas ideias que depois seriam aproveitadas em outras fés, especialmente a cristã. Ele propunha os conceitos de céu e inferno, do dia de julgamento e da revelação final do mundo, bem como uma ideia de Satanás: toda a base do zorastrismo se sustentava em uma luta das forças do bem e da luz com as forças das trevas (cuja autoridade se chamava Ahriman ou Angra Mainyu, e simbolizava o rei da destruição — e, curiosamente, seria o irmão gêmeo de Ahura Mazda).
Assim, os homens deveriam escolher em que lado eles estavam nesta luta, e a religião servia de guia para que eles soubessem que Deus sempre prevaleceria. Por um lado, Angra Mainyu tentava cegar os homens com desejos que os desviariam do caminho certo; por outro, seu irmão Ahura Mazda os levaria para o destino correto.
A história bíblica de Adão e Eva também guarda bastante semelhança com alguns mitos contados pelo profeta Zoroastro. Segundo a crença, Ahura Mazda (Deus) criou um primeiro casal, chamado Mashya e Mashynag, que vivia harmonicamente em um paraíso, até que Angra Mainyu os convenceu de que ela era o criador, e que Ahura Mazda era um enganador. Por terem acreditado, o casal foi expulso do paraíso e condenados a um mundo cheio de dificuldades.
O zoroastrismo na cultura popular

As ideias provenientes do zoroastrismo também foram recuperadas em outros produtos da cultura popular. A antiga religião persa já apareceu também na música, na literatura e até no cinema.
A ópera A Flauta Mágica, de Mozart, é cheia de referências ao zoroastrismo, como a contraposição entre luz e escuridão, as provações de fogo e água (os fiéis da religião acreditam que as duas são entidades irmãs purificadoras) e a busca da bondade acima de tudo. O cantor Freddie Mercury, vocalista da banda Queen, também se orgulhava em entrevistas de sua herança familiar zoroastrista.
Mas talvez nenhuma criação musical expresse bem os princípios promulgados por Zoroastro quanto Assim falou Zaratustra, poema sinfônico composto por Richard Strauss que homenageia o legado filosófico de Friedrich Nietzsche, autor de um livro de mesmo nome. O curioso é que muitas das ideias de Nietzsche se opunham aos princípios zoroastristas — como a que pregava a cisão absoluta entre bem e mal.
A série Game of Thrones também faz uma referência ao zoroastrismo na lenda de Azor Ahai, um semideus que triunfa sobre as trevas. E há muita gente que acredita que a batalha cósmica em Star Wars, baseada no confronto entre a Luz e as Trevas da força, tem clara influência das ideias do profeta Zoroastro.
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Aqui, ele nos oferece um panorama de como mundialmente se encontram as religiões. Note-se que os muçulmanos sunitas ultrapassam os cristãos – constituem 20% da humanidade, com 1,5 bilhão de seguidores, enquanto os católicos ocidentais e orientais constituem 17% da humanidade, com 1,3 bilhões de professantes.
Agradecemos a esse persistente pesquisador e colega na teologia comprometida com os injustiçados, por seu trabalho indispensável para se ter uma visão objetiva de como andam as religiões.
No fundo, constatamos que a humanidade é fundamentalmente religiosa, enquanto a secularização é, antes, um fenômeno ocidental e limitado, sendo cada vez mais questionado por sociólogos, historiadores e pelos próprios teólogos ecumênicos.

| Religião | Fiéis |
| Muçulmanos Sunitas (20% da humanidade) |
1,5 bilhão |
| Católicos Ocidentais e Orientais (17%) |
1,3 bilhão |
| Hinduístas (15%) |
1,1 bilhão |
| Budistas (7,1%) |
525 milhões |
| Protestantes (6,7%) |
500 milhões |
| Religiões tradicionais africanas, asiáticas e americanas – RTA (6%) | 400 milhões |
| Ortodoxas (4% da população – 13,6% dos cristãos) |
300 milhões |
Além disso, cerca de 22% dos cristãos se organizam em mais de 300 grandes confissões e cerca de 20 mil pequenas igrejas autóctones, particularmente presentes na África e na América Latina.
Das igrejas pentecostais, contamos 150 milhões; metodistas, 70 milhões; luteranos, 65 milhões, e reformados 30 milhões; congregacionais 3 milhões.
Há ainda valdenses (45 mil), morávios (800 mil) e dezenas de igrejas livres com 250 milhões de membros. Podemos dizer que existam 30 grandes famílias confessionais e centenas de ramificações no mundo evangélico protestante.
Xiitas muçulmanos são estimados em 170 milhões, um décimo de todos os muçulmanos. São a maioria no Irã, Iraque, Bahrein, Azerbaijão e Iêmen.
Anglicanos, 85 milhões, em igrejas autônomas com o primaz de Canterbury na Inglaterra, articulados por três ramos internos na Comunhão anglicana: High Church, Low Church e Broad Church.
Grupos autônomos somam 3% dos cristãos, entre eles, mórmons, com 10 milhões, Ciência Cristã e Testemunhas de Jeová (14 milhões), adventistas de sétimo dia, com 12 milhões.
Há também Batistas (35 milhões), Exército da Salvação (4 milhões), Amigos do Homem (110 mil), Quakers (500 mil), Menonitas (1,5 milhão), Milenaristas, Ciência Crista (1,5 milhão) Armênios gregorianos (5 milhões), Arminianos (40 mil), veterocatólicos (90 mil), nestorianos (170 mil) e mandeanos no Iraque e Irã (31 mil). Na República Democrática do Congo há a denominação kimbanguista, com quatro milhões de simpatizantes.
Novas religiões orientais do Japão, Coreia do Sul e China (0,8% da população mundial). Particularmente destacamos Perfect Liberty, Messiânica, Tenrikio, Seicho-no-ie, Caodaistas, Seita Moon (850 mil) e grupos budistas sincréticos.
Judeus (0,2%), ou seja, de 14 a 20 milhões de membros.

Sikhs, 16 milhões, essencialmente presentes na Índia e Grã-Bretanha.
10 milhões de muçulmanos de diversas denominações: Karijitas (1,1 milhão), drusos (500 mil), yezidis (450 mil), sufis, alaouitas ou nusayris (1 milhão), ahmadis ou qakiyanis, com 4,5 milhões.
Seguidores da Fé Bahaí são estimados em 7,3 milhões em 2010, espalhados em 218 países do planeta.
Espiritismo, com cinco milhões de seguidores, na maioria brasileiros.
Samaritanos, presentes em Holon, Israel e Naplouse, na Cisjordânia, somam 500 pessoas.





