MANOEL APOLÔNIO, O INVENTOR DA CISTERNA DE PLACAS
Manoel Apolônio de Carvalho, conhecido como Nel, foi um pedreiro que revolucionou a convivência com a seca no Nordeste brasileiro ao criar a cisterna de placas
Por Henrique Bolfi

Como forma de diminuir o impacto da seca e da falta ou ausência de acesso à água para insumos básicos em residências do semiárido, a Tecnologia Social foi replicada, após alguns projetos de governo e de iniciativas privadas sem fins lucrativos, em mais de um milhão de exemplares, sendo instalados próximos às casas de famílias da região.
Conforme descrito no site da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), o Sistema de Cisternas de placas instalado nas residências “consiste em um reservatório cilíndrico, construído próximo à casa da família, com capacidade de armazenar até 16 mil litros de água da chuva captados do telhado – suficientes para suprir a necessidade de consumo básico de uma família de cinco pessoas por até oito meses”.
As dimensões das cisternas de placas podem variar de acordo com o modelo. O modelo utilizado pelo Programa Cisternas, criado pelo Governo Brasileiro, segundo o Modelo da Tecnologia Social de Acesso à Água Nº 1 – Cisternas de Placas de 16 mil litros, consiste em uma estrutura circular de 3,46 metros de diâmetro por 2,40 metros de altura – sendo 1,20 metro a profundidade do buraco -, cujas placas das paredes possuem a espessura de 4 centímetros. O número de placas divide-se entre 88 que compõem as paredes e 21 que constituem a cobertura em formato de trapézio, cuja sustentação é mantida por 21 vigas na diagonal de cima para baixo.
Além disso, as cisternas necessitam de um sangradouro que permite o escoamento da água excedente, uma bomba para puxar a água, tubos para a renovação do ar, uma tampa para limpeza e proteção da água e, por fim, um sistema de calha acoplado no telhado.
Os projetos desenvolvidos pela parceria entre a ASA, a Fundação Banco do Brasil (FBB) e o Governo Brasileiro garantiram, ao decorrer de mais de vinte anos, a construção de mais de um milhão de cisternas.
Até o fim de 2010, foram construídas 322.000 cisternas rurais através do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) em mais de mil municípios, além de outras propostas como cursos de capacitação. Essas ações ganharam força com o lançamento, em 2011, tanto do “Programa Nacional de Universalização do Acesso e Uso da Água – Água para Todos” quanto do “Plano Brasil sem Miséria”.
Fontes: Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e Fundação Banco do Brasil (FBB).
