O PODER DAS ABELHAS-RAINHAS PARA O EQUILÍBRIO ECOLÓGICO
Vivemos em uma sociedade historicamente marcada pelo patriarcado, onde os homens sempre ocuparam a maior parte dos espaços de poder. Entretanto, em muitos contextos, são as mulheres que sustentam e organizam grande parte das estruturas sociais
Por Thaís Silveira
Curiosamente, no reino animal existem diversos exemplos de sociedades altamente organizadas que são lideradas por fêmeas, como a das abelhas, que pertencem à classe Insecta e à ordem Hymenoptera, grupo que também inclui as formigas e as vespas.
Esses organismos se destacam por apresentarem uma estrutura social bem definida, que contribui diretamente para o sucesso reprodutivo das espécies. A divisão social hierárquica é o que define esses insetos como sociais, ou “eussociais”, palavra de origem etimológica grega, que vem do Eu – “adequado” e, do latim, socius – “companheiro”.
No caso das abelhas, a reprodução pode ocorrer de formas distintas. De modo geral, apenas a abelha-rainha é responsável pela reprodução e pela perpetuação da colônia. Esse processo pode ocorrer com ou sem fecundação. Quando não há participação do espermatozoide, ocorre um fenômeno conhecido como partenogênese (“nascimento virgem”, do grego), no qual o óvulo não fecundado se desenvolve originando um indivíduo.
Nas abelhas, esse processo dá origem aos zangões, que são os machos da colônia. Quando ocorre a fecundação do óvulo pelo espermatozoide, desenvolvem-se indivíduos fêmeas, que podem se tornar operárias ou uma nova rainha, dependendo principalmente da alimentação recebida durante o desenvolvimento larval.
A partenogênese é considerada uma estratégia reprodutiva mais simples e rápida, para favorecer a rápida povoação de uma nova colmeia quando necessário, embora a variabilidade genética gerada por esse processo seja menor, já que os indivíduos gerados possuem apenas o material genético da mãe.
A abelha-rainha tem como principal função a reprodução, além de manter a organização da colmeia, via mensagens transmitidas às operárias através de sinais químicos regulados pelo hormônio feromônio, garantindo que todos os processos da colônia ocorram de forma equilibrada.
As operárias são responsáveis por cuidar da colônia, garantindo sua proteção, produzindo mel e realizando a polinização das flores. As operárias são reguladas através desses sinais, mantendo, assim, a sua função dentro da colmeia. Por meio desses sinais, conseguem reconhecer a presença da rainha, manter a organização da colônia e executar tarefas essenciais para o funcionamento do grupo.
As operárias também asseguram a nutrição e o cuidado com as larvas durante o desenvolvimento. São elas que alimentam determinadas larvas de forma diferenciada, possibilitando o desenvolvimento de uma nova rainha quando necessário.
A rainha sai da colmeia apenas em momentos específicos. Um deles é durante o voo nupcial, quando ocorre o acasalamento com os machos, e quando a colônia se torna muito populosa, podendo deixar a colmeia acompanhada por parte das operárias para formar uma nova colônia, em um processo conhecido como enxameamento, enquanto outra rainha permanece ou se desenvolve na colmeia original.
Muito além de sua complexa organização social, as abelhas desempenham um papel essencial para o equilíbrio ecológico. Durante a coleta de néctar e pólen, elas realizam a polinização, processo de reprodução de inúmeras espécies de plantas. Grande parte das culturas agrícolas e da vegetação natural depende, em algum grau, da ação polinizadora das abelhas.
Entretanto, as abelhas têm sofrido diminuição na sua população devido a ações antrópicas, como o desmatamento e o uso intensivo de agrotóxicos, fatores que comprometem a sobrevivência de muitas espécies.
Consequentemente, com menos abelhas no mundo, menos polinização. Dessa forma, espécies vegetais têm sua reprodução comprometida. Além de afetar a biodiversidade, esse cenário também pode comprometer a produção de alimentos e o equilíbrio dos ecossistemas.
Thaís Silveira – Bióloga (Universidade Estadual de Santa Cruz), pós-graduanda em gestão para sustentabilidade pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel).










