Atiro-me nos teus braços todos os dias
Atira-se também aos nossos olhos o poeta e seu amor imenso e intenso: “(…)humildemente hei de agradecer a acolhida tão honrosa, mas agora, alma em descanso, direi que foi nos teus braços que me encontrei”(…).
Atiro-me nos teus braços todos os dias.
Atiro-me como se nada mais houvesse,
como se me restasse uma bala,
como se eu tivesse apenas sete vidas.
Atiro-me nos teus braços todos os dias, e o faço com a simplicidade das tarefas diárias, como regar o jardim e trocar os lençóis,
e como se o dia não tivesse o menor sentido.
Atiro-me nos teus braços para descansar da vida e me esconder da morte.
Atiro-me nos teus braços, envaidecido, porque pertencemos um ao outro, e já não pertenço mais às transgressões, às subversões, e aos pecados.
Atiro-me nos teus braços porque o tempo é curto,
embora eu não me lembre mais dele.
Atiro-me nos teus braços por rancor e perdão.
Atiro-me porque é tão digno e porque nossos signos desde o início já nos avisavam.
Atiro-me nos teus braços como que por ofício e transfusão.
Atiro-me nos teus braços mesmo quando distante e digo que a cada instante atiro-me mais.
Atiro-me nos teus braços porque sei que vou fazê-lo até o fim.
E quando vier o fim terei que atirar-me nos teus braços de qualquer espaço que no céu me couber.
Amparado pela Virgem piedosa, humildemente hei de agradecer a acolhida tão honrosa,
mas agora, alma em descanso, direi que foi nos teus braços que me encontrei
e foi nele que sempre desejei partir.

Átila De Almeida Ribeiro é advogado em Volta Redonda – RJ , escritor e filósofo. O autor é parceiro da ALANEG – Academia de Letras e Artes do Nordeste Goiano/RIDE e colaborador da Xapuri Socioambiental.

Imagem ilustrativa – óleo em tela de Hebe Fagundes – artista plástica, professora de artes cênicas, Estudou na instituição de ensino Faculdade de Artes Dulcina de Moraes FBT. Em suas telas a magia do movimento, suas todas emoções em cores fortes e a marcação presente da vida humana. Ela é defensora dos direitos humanos, dos animais, da natureza e de muitas causas nobres.











Uma resposta
E eu tive tanto medo,
Eu te vi e não sabia se estava feliz em me ver. Nessa indecisão, pensei ter fracassado mais uma vez.
40 anos de tentativas, vc se tornou meu sacerdócio de amor. Eu não soube lidar com o reencontro. Disfarcei entre sorrisos e simpatias…
Eu não lhe disse que sua voz me fazia tremer a alma, nem que sua imagem me transportava à lugares que por tantas vezes sonhei sozinha.
Talvez , tenha te perdido de novo, como sempre fiz. Mas uma coisa nunca se perderá. O amor profundo , maduro e coeso que tenho por ti em minha história.
Se vc ainda lembrar, de nova porta aberta a menina que te ama…
Não tenha lágrimas te acompanhando em trajetórias dispersas.
Mais uma única chance.
Só mais uma vez.
Só mais um olhar,
Só mais uma palavra…
Só pra lhe pedir que me perdoe o meu jeito defensivo, meu medo da minha intensidade.
Só deixa fluir …
Sem pensar…
Sem analizar…
Só sermos um, como fomos por toda vida.
Mas desta vez, real e pra sempre.
Amor eterno e profundo de meu coração sem coragem de se permitir.
Tudo sem vc foi mais difícil, agora está impossível.