ATIRO-ME NOS TEUS BRAÇOS TODOS OS DIAS

ATIRO-ME NOS TEUS BRAÇOS TODOS OS DIAS

Atiro-me nos teus braços todos os dias

Atira-se também aos nossos olhos o poeta e seu amor imenso e intenso: “(…)humildemente hei de agradecer a acolhida tão honrosa, mas agora, alma em descanso, direi que foi nos teus braços que me encontrei”(…).

Por Átila de Almeida Ribeiro

Atiro-me nos teus braços todos os dias.

Atiro-me como se nada mais houvesse,

como se me restasse uma bala,

como se eu tivesse apenas sete vidas.

Atiro-me nos teus braços todos os dias, e o faço com a simplicidade das tarefas diárias, como regar o jardim e trocar os lençóis,

e como se o dia não tivesse o menor sentido.

Atiro-me nos teus braços para descansar da vida e me esconder da morte.

Atiro-me nos teus braços, envaidecido, porque pertencemos um ao outro, e já não pertenço mais às transgressões, às subversões, e aos pecados.

Atiro-me nos teus braços porque o tempo é curto,

embora eu não me lembre mais dele.

Atiro-me nos teus braços por rancor e perdão.

Atiro-me porque é tão digno e porque nossos signos desde o início já nos avisavam.

Atiro-me nos teus braços como que por ofício e transfusão.

Atiro-me nos teus braços mesmo quando distante e digo que a cada instante atiro-me mais.

Atiro-me nos teus braços porque sei que vou fazê-lo até o fim.

E quando vier o fim terei que atirar-me nos teus braços de qualquer espaço que no céu me couber.

Amparado pela Virgem piedosa, humildemente hei de agradecer a acolhida tão honrosa,

mas agora, alma em descanso, direi que foi nos teus braços que me encontrei

e foi nele que sempre desejei partir.

121454893 3519506808104382 2346615788171528330 n 1
Fonte: http://xapuri.info/wp-content/uploads/2021/01/121454893_3519506808104382_2346615788171528330_n-1.jpg

Átila De Almeida Ribeiro é advogado em Volta Redonda – RJ , escritor e filósofo. O autor é parceiro da ALANEG – Academia de Letras e Artes do Nordeste Goiano/RIDE e colaborador da Xapuri Socioambiental.

 

31901753 102874760586051 7860563576505761792 n
Fonte: https://xapuri.info/wp-content/uploads/2021/01/31901753_102874760586051_7860563576505761792_n.jpg

Imagem ilustrativa – óleo em tela de Hebe Fagundes – artista plástica, professora de artes cênicas, Estudou na instituição de ensino Faculdade de Artes Dulcina de Moraes FBT. Em suas telas a magia do movimento, suas todas emoções em cores fortes e a marcação presente da vida humana. Ela é defensora dos direitos humanos, dos animais, da natureza e de muitas causas nobres.

GOSTOU DESTA MATÉRIA? ENTÃO, POR FAVOR, PASSA PRA FRENTE. COMPARTILHE EM TODAS AS SUAS REDES. NÃO CUSTA NADA, É SÓ CLICAR!

Uma resposta

  1. E eu tive tanto medo,
    Eu te vi e não sabia se estava feliz em me ver. Nessa indecisão, pensei ter fracassado mais uma vez.
    40 anos de tentativas, vc se tornou meu sacerdócio de amor. Eu não soube lidar com o reencontro. Disfarcei entre sorrisos e simpatias…
    Eu não lhe disse que sua voz me fazia tremer a alma, nem que sua imagem me transportava à lugares que por tantas vezes sonhei sozinha.
    Talvez , tenha te perdido de novo, como sempre fiz. Mas uma coisa nunca se perderá. O amor profundo , maduro e coeso que tenho por ti em minha história.
    Se vc ainda lembrar, de nova porta aberta a menina que te ama…
    Não tenha lágrimas te acompanhando em trajetórias dispersas.
    Mais uma única chance.
    Só mais uma vez.
    Só mais um olhar,
    Só mais uma palavra…
    Só pra lhe pedir que me perdoe o meu jeito defensivo, meu medo da minha intensidade.
    Só deixa fluir …
    Sem pensar…
    Sem analizar…
    Só sermos um, como fomos por toda vida.
    Mas desta vez, real e pra sempre.
    Amor eterno e profundo de meu coração sem coragem de se permitir.

    Tudo sem vc foi mais difícil, agora está impossível.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

CONTATO

A CURA DA TERRA

REVISTA

© 2025 Revista Xapuri — Jornalismo Independente, Popular e de Resistência.