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No abraço à praça, o combate ao racismo

 No abraço à Praça Tamandaré, em Goiânia, o Sintego reforça o combate ao – 

Uma vez mais, era 20 de novembro, Dia Nacional da , e lá estávamos nós, na Praça Tamandaré, em Goiânia, com centenas de estudantes, professores e professoras de nossas escolas públicas, para celebrar a diversidade e, pelo exemplo, fortalecer o combate ao racismo.

Logo de manhã, por volta das 9 horas, junto com nossas entidades parceiras, como o Coletivo Lélia Gonzalez e o Movimento Negro Unificado – MNU, chegamos à praça para a 17ª edição do Abraço Negro, essa bonita ação coletiva que fecha, no dia de Zumbi dos Palmares, o calendário de atividades que o Sintego realiza ao longo do ano contra todo e qualquer tipo de preconceito e discriminação.

Minha alegria foi grande ao ver a animação das crianças, adolescentes e jovens das mais de 30 escolas que se juntaram a nós para o Abraço Negro deste ano de 2017. A cada apresentação cultural dos alunos e alunas das redes municipal e estadual, o entusiasmo era tanto que, em vários momentos, levou pessoas que passavam pela praça a se juntarem ao movimento.

A psicóloga Clarissa Dias, de Brasília, foi uma delas: “Conhecer o “Abraço Negro” foi uma surpresa boa. Amei a música, as danças, o cartaz do “UBUNTU”  e, principalmente, amei ver crianças tão pequenas engajadas na luta contra o racismo. Certamente, esse trabalho do Sintego gerará uma nova consciência, mais humana e mais solidária, para as gerações presentes e futuras”.

“Eu sou porque nós somos.”

Nosso cartaz do UBUNTU expressava, ali no calor daquela manhã de novembro, o sentimento mais profundo desse trabalho que começamos no ano 2000 e que, a cada dia, se consolida e se fortalece pelos caminhos da vivência comunitária e da experiência da construção coletiva de uma sociedade sem racismo, sem homofobia, sem feminicídio, sem , sem mortes prematuras, uma sociedade voltada para a da paz.

De coração, agradeço a participação de cada criança, de cada professor e professora, de cada trabalhador e trabalhadora do Sintego, em especial às professoras Roseane Ramos, nossa Secretária de Igualdade Social, e Iêda Leal de Souza, nossa tesoureira e coordenadora nacional do Movimento Negro Unificado – MNU, por este belo abraço coletivo à Praça Tamandaré e por todos os dias de luta pela igualdade racial.

Que o simbólico “Abraço Negro” possa, sempre, fortalecer a união de todos e de todas nós para que, com imensa responsabilidade e compromisso, sigamos fazendo do Sintego este espaço forte e único de luta contra o racismo e contra os muitos preconceitos que assustam nossas crianças e desorientam nossos jovens.

Agora, depois de mais um bem-sucedido “Abraço Negro” em Goiânia, seguiremos com nossas outras ações pedagógicas, como as palestras, oficinas e atividades culturais que o Sintego realizará em várias cidades do interior de Goiás ainda este ano.

Aproveito esta oportunidade para desejar a vocês boas festas e um feliz 2018!

Bia de Lima
Educadora. Presidenta do Sintego.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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