ANTAS: AS JARDINEIRAS DA NATUREZA 

ANTAS: AS JARDINEIRAS DA NATUREZA 

Ao imaginar um mamífero de grande porte, é muito provável que alguém pense em um elefante, um tigre ou até mesmo uma onça

Por Thaís Silveira

anta Foto Divulgacao World Animal Protection

No entanto, existe um mamífero que frequentemente passa despercebido e raramente é lembrado quando se fala em animais de grande porte: a anta. Esse animal, popularmente conhecido por um nome socialmente pejorativo, associado à burrice e à falta de noção, é o oposto deste estereótipo negativo. 

Estudos realizados por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Ecológicas revelam que a espécie é extremamente inteligente e que há uma grande concentração de neurônios em seu cérebro.

Conhecer as antas e entender o papel que elas têm na conservação dos ecossistemas é perceber que chamá-las de “antas” como sinônimo de pouca inteligência não faz sentido, considerando tudo o que esse animal representa para o meio ambiente.

A anta (Tapirus terrestris) é o maior mamífero terrestre do Brasil e da América do Sul. Pode pesar até 300 quilos, medir cerca de dois metros de comprimento e aproximadamente um metro de altura. Tem hábitos solitários, se juntando a outros apenas na época de reprodução. Esse gigante da natureza adora nadar e precisa de grandes áreas para viver.

Além disso, a anta tem um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas, sendo conhecida como a “jardineira da natureza”. Com hábitos herbívoros, ao se alimentar de frutos, acaba espalhando sementes por meio das fezes, ajudando no reflorestamento natural e contribuindo para a manutenção dos estoques de carbono.

Apesar de sua importância, a espécie enfrenta sérios problemas para continuar existindo. Presente em biomas como Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica, a anta sofre com a perda de habitat causada pelo desmatamento, pela caça e pelos atropelamentos em rodovias. 

Por isso, atualmente, está classificada como vulnerável à extinção na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

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p style=”text-align: justify;”>Thaís SilveiraThaís Silveira – Bióloga (Universidade Estadual de Santa Cruz), pós-graduanda em gestão para sustentabilidade pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Imagem interna: Divulgação/ World Animal Protection. Capa: Reprodução/Internet. 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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