ANTAS: AS JARDINEIRAS DA NATUREZA
Ao imaginar um mamífero de grande porte, é muito provável que alguém pense em um elefante, um tigre ou até mesmo uma onça
Por Thaís Silveira
No entanto, existe um mamífero que frequentemente passa despercebido e raramente é lembrado quando se fala em animais de grande porte: a anta. Esse animal, popularmente conhecido por um nome socialmente pejorativo, associado à burrice e à falta de noção, é o oposto deste estereótipo negativo.
Estudos realizados por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Ecológicas revelam que a espécie é extremamente inteligente e que há uma grande concentração de neurônios em seu cérebro.
Conhecer as antas e entender o papel que elas têm na conservação dos ecossistemas é perceber que chamá-las de “antas” como sinônimo de pouca inteligência não faz sentido, considerando tudo o que esse animal representa para o meio ambiente.
A anta (Tapirus terrestris) é o maior mamífero terrestre do Brasil e da América do Sul. Pode pesar até 300 quilos, medir cerca de dois metros de comprimento e aproximadamente um metro de altura. Tem hábitos solitários, se juntando a outros apenas na época de reprodução. Esse gigante da natureza adora nadar e precisa de grandes áreas para viver.
Além disso, a anta tem um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas, sendo conhecida como a “jardineira da natureza”. Com hábitos herbívoros, ao se alimentar de frutos, acaba espalhando sementes por meio das fezes, ajudando no reflorestamento natural e contribuindo para a manutenção dos estoques de carbono.
Apesar de sua importância, a espécie enfrenta sérios problemas para continuar existindo. Presente em biomas como Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica, a anta sofre com a perda de habitat causada pelo desmatamento, pela caça e pelos atropelamentos em rodovias.
Por isso, atualmente, está classificada como vulnerável à extinção na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Thaís Silveira – Bióloga (Universidade Estadual de Santa Cruz), pós-graduanda em gestão para sustentabilidade pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL).
<
p style=”text-align: justify;”>Capa: Divulgação/ World Animal Protection