Moda sustentável! A marca brasileira que produz bolsas de guarda-chuva e jaquetas de restos de pneu
Reutilizar restos de pneus e de guarda-chuvas para confeccionar roupas e acessórios é a grande sacada da Revoada, uma empresa gaúcha de moda sustentável que ganha dinheiro reaproveitando materiais que muitos de nós chamamos de lixo.
Por Matteus Goto/The Greenest Post
A marca nasceu em 2013 com o nome de Vuelo, já com a missão de diminuir o impacto da indústria têxtil.
Após muito estudos, os idealizadores descobriram que câmaras de pneu de caminhão, constantemente descartadas em borracharias, são um ótimo material substituto para o couro, enquanto o nylon de guarda-chuvas quebrados pode ser reaproveitado como um excelente forro de bolsas e mochilas.
Para conseguir sua matéria-prima, a Revoada possui parceria com borracharias e, quinzenalmente, visita unidades de triagem de lixo seco, para onde guarda-chuvas com engrenagem quebrada são encaminhados.
Cada espaço desses chega a receber mil unidades do objeto por dia, que – se não fosse o trabalho da marca – seriam descartados em aterros sanitários.
Após a coleta da matéria-prima, o material é encaminhado para uma empresa de lavagem industrial que usa água captada da chuva e, em seguida, a borracha e o nylon são entregues a pequenos ateliês de costura e cooperativas de costureiras que se encarregam da fabricação das peças.
Ou seja, sustentabilidade do começo ao fim do processo de produção das roupas e acessórios! As vendas da marca são feitas pela internet.
Autor: Matteus Goto – Disponível em The Green Post. Foto- Arquivo Revoada.
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A proposta vai além da capacitação artesanal: transforma materiais que seriam descartados – como lonas de eventos e guarda-chuvas quebrados – em bolsas, mochilas e capas de chuva, unindo moda, sustentabilidade e empreendedorismo.
Foto: DivulgaçãoLucilene Carvalho, instrutora da oficina, designer de moda e proprietária do ateliê sustentável Jalunalé, desenvolveu a técnica durante seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
Foto: Diogo Vianna
“Percebi que as sombrinhas, tão comuns no nosso dia a dia, viram um problema ambiental quando descartadas. Elas entopem bueiros e demoram centenas de anos para se decompor. Os banners, feitos de lona plástica, são usados por poucos dias em eventos e depois viram lixo. Nosso trabalho é mostrar que esses materiais têm valor e podem se tornar peças duráveis e cheias de estilo”, destaca Lucilene.
Para a designer, um dos maiores desafios é mudar a percepção sobre o lixo. “As pessoas ainda veem esses materiais como algo sem valor. Nosso papel é mostrar que, com criatividade, eles podem se tornar fonte de renda.” Ela cita o caso de ex-alunas que hoje comercializam suas peças. “Uma participante da oficina passada vende bolsas feitas de banner em feiras de artesanato. Outra montou um pequeno ateliê em casa. Isso é uma transformação real”, comemora.
Foto: Diogo Vianna
Já Sheila Castilho, instrutora e especialista em modelagem de bolsas, reforça a importância do upcycling – reutilização criativa – como alternativa ao consumo desenfreado.
Foto: Diogo Vianna
“Muitas alunas chegam duvidando que uma sombrinha velha pode virar uma bolsa bonita. Quando terminam sua primeira peça, a surpresa é geral. Além de aprender uma técnica, elas saem com outra mentalidade sobre consumo.” Além disso, a especialista destaca o aspecto comunitário do projeto: “além da técnica, as aulas são um espaço de troca. Muitas mulheres vêm não só para aprender, mas para se reconectar com a própria capacidade criativa.”
Foto: Diogo Vianna
Andrei Miralha, coordenador das Oficinas do Curro Velho, ressalta o alinhamento da iniciativa com a missão da FCP. “A Fundação não só preserva tradições, mas também incentiva inovações que dialoguem com a realidade local. Essas oficinas mostram que a cultura pode ser um catalisador de sustentabilidade e inclusão social, gerando oportunidades para artistas e artesãos”.
Ao promover capacitações gratuitas que unem arte, sustentabilidade e empreendedorismo, a Fundação Cultural do Pará reforça seu papel na valorização da cultura paraense. Mais do que ensinar técnicas, iniciativas como essas estimulam uma mudança de mentalidade – provando que a criatividade pode ser a chave para um futuro mais consciente e economicamente viável.
Foto: Diogo Vianna