Brasileira cria tijolo sustentável feito com resíduos

Brasileira cria tijolo sustentável feito com resíduos de construção civil que dispensa etapa de queima

O setor da construção civil está entre os mais poluentes do . Segundo do Pnuma, o Programa das Nações Unidas para o , o segmento é responsável por mais de um terço das emissões globais de CO2, além de gerar uma quantidade absurda de . De acordo com último levantamento do tipo, feito pela Abrelpe, só no são mais de 122 mil toneladas de resíduos geradas por dia pela construção civil. 

Por Débora Spitzcovsky

Disposta a oferecer uma solução sustentável para o setor, a engenheira brasileira Gabriela Medero desenvolveu, em parceria com o também engenheiro Sam Chapman, o K-Briq. Trata-se de um tijolo sustentável feito 90% com resíduos da construção civil, por meio de processo de compactação, dispensando uma das etapas mais poluentes da fabricação do tijolo convencional feito de argila: a queima.

Além de mais barato, por ser feito de “lixo”, o tijolo sustentável também oferece ao cliente e consumidor outros dois benefícios, em comparação ao tijolo tradicional: ele tem melhores propriedades de isolamento térmico e acústico e ainda pode ser produzido em qualquer cor, dando a possibilidade de dispensar acabamento.

Para garantir a produção em larga escala do K-Briq, Gabriela e Sam receberam aporte financeiro do Zero Waste Scotland, um fundo de que apoia iniciativas de circular na Europa. Com o dinheiro, eles fundaram a startup Kenoteq no Reino Unido, onde Gabriela mora há anos e, não por acaso, o país da Europa que mais produz tijolos: são mais de 2,6 bilhões de unidades fabricadas por ano.

Até junho, a Kenoteq promete começar a comercializar os K-Briqs e, ainda em 2023, colocar no mercado mais de 3 milhões de tijolos sustentáveis. Voa, Gabi!

Fonte: The Green Post. Foto de capa: Arquivo – Kenoteq Bricks. Este artigo não representa a opinião da Revista e é de responsabilidade da autora.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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