CINZAS AO RIO
As cinzas de Athos Pereira, como era do seu desejo, foram lançadas nas águas do Tocantins, o rio de sua memória, no entardecer do dia 12 de outubro de 2024.
Sensibilizada, sua família agradece todas as manifestações de carinho, expressadas por tanta gente, ao longo dessa jornada de despedidas.
Família Athos Pereira da Silva

Morre Athos Pereira, fundador do PT e defensor tenaz da democracia e do interesse nacional
Athos foi um dos primeiros funcionários da Liderança do PT e militante histórico do partido. É dele a autoria do livro “Líderes do PT na Câmara – trajetórias e lutas”
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Faleceu nesta terça-feira (13), em Brasília, aos 77 anos, Athos Pereira da Silva, um dos fundadores do PT e militante histórico da esquerda brasileira. Foi servidor da Câmara dos Deputados e passou a ser lotado na Liderança do PT a partir de 1995. Na Liderança do PT foi chefe de gabinete por 13 anos e, depois, tornou-se assessor político.
Um dos primeiros funcionários da Liderança do PT e militante histórico do partido, é dele a autoria do livro “Líderes do PT na Câmara – trajetórias e lutas”. A obra contém um resumo biográfico dos parlamentares que exerceram a liderança desde 1980. O livro foi lançado em novembro de 2013 e reeditado, com atualização, em 2023.
O deputado José Guimarães (PT-CE), líder da Bancada em 2013, na introdução da primeira edição do livro assinalou o papel ativo de Athos na história recente do Brasil, “particularmente nas atividades da Liderança do PT na Câmara dos Deputados”, sendo, portanto, “qualificado para tratar desta história imediata, com equilíbrio e amplitude de visão”.
Athos nasceu em Porto Nacional (TO) em 20 de novembro de 1946. Ele integrou a ALN (Ação Libertadora Nacional) e participou ativamente do movimento contra a ditadura implantada no Brasil em 1964. Por esse motivo foi perseguido e exilou-se no Chile em 1972, onde assistiu de perto ao ataque perpetrado pelo general Augusto Pinochet contra o Palácio La Moneda, em 11 de setembro de 1973, golpe que matou o presidente eleito democraticamente Salvador Allende.
Asilado político
Junto com outros brasileiros, Athos Pereira buscou asilo na embaixada do México, na capital chilena. De lá, seguiu para a Cidade do México, onde ficou por quatro meses, até obter asilo na Bélgica. Com a Lei da Anistia, voltou ao Brasil em janeiro de 1980.
É um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, tendo integrado a Executiva Nacional do PT. Foi presidente do Diretório Regional do Partido em Goiás no período 1987 a 1989, tendo antes exercido o cargo de tesoureiro e de secretário-geral. Foi candidato a senador Constituinte em 1986, pelo PT de Goiás. Leitor voraz, sobretudo de livros sobre História, Athos era um grande torcedor do Botafogo.
Athos começou a trabalhar na Câmara dos Deputados em 1983, como assessor de gabinete da deputada Irma Passoni (PT-SP). Depois, assessorou Paulo Delgado (PT-MG), Luiz Gushiken (PT-SP) e Jaques Wagner (PT-BA). Em 1987, tornou-se servidor efetivo da Casa.
Mérito Legislativo
Em novembro de 2018, por iniciativa da Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara, por meio do seu então líder, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), Athos Pereira foi indicado para receber a Medalha Mérito Legislativo, maior honraria concedida pela Câmara dos Deputados a personalidades que prestaram relevantes serviços ao País e para o aperfeiçoamento do Parlamento brasileiro.
Ele deixou deixou esposa, Thais Pires, três enteados (Júlia, Camila e Augusto), três filhos do primeiro casamento com Liliana Lemos (Pedro, Joaquim e Maria), mais quatro netos (Valentina, Rodrigo, João Vitor e Clarice).
Do PT Câmara
