CINZAS AO RIO

CINZAS AO RIO

CINZAS AO RIO

As cinzas de Athos Pereira, como era do seu desejo, foram lançadas nas águas do Tocantins, o rio de sua memória, no entardecer do dia 12 de outubro de 2024. 

Sensibilizada, sua família agradece todas as manifestações de carinho, expressadas por tanta gente, ao longo dessa jornada de despedidas. 

 Família Athos Pereira da Silva

ATHOS PEREIRA CINZAS AO RIO COM THAIS E HAMILTON scaled

Morre Athos Pereira, fundador do PT e defensor tenaz da democracia e do interesse nacional

Athos foi um dos primeiros funcionários da Liderança do PT e militante histórico do partido. É dele a autoria do livro “Líderes do PT na Câmara – trajetórias e lutas”

 
athos pereira reproducao

Athos Pereira nasceu em Porto Nacional (TO) em 20 de novembro de 1946

Faleceu nesta terça-feira (13), em Brasília, aos 77 anos, Athos Pereira da Silva, um dos fundadores do PT e militante histórico da esquerda brasileira. Foi servidor da Câmara dos Deputados e passou a ser lotado na Liderança do PT a partir de 1995. Na Liderança do PT foi chefe de gabinete por 13 anos e, depois, tornou-se assessor político.
Um dos primeiros funcionários da Liderança do PT e militante histórico do partido, é dele a autoria do livro “Líderes do PT na Câmara – trajetórias e lutas”. A obra contém um resumo biográfico dos parlamentares que exerceram a liderança desde 1980. O livro foi lançado em novembro de 2013 e reeditado, com atualização, em 2023.
O deputado José Guimarães (PT-CE), líder da Bancada em 2013, na introdução da primeira edição do livro assinalou o papel ativo de Athos na história recente do Brasil, “particularmente nas atividades da Liderança do PT na Câmara dos Deputados”, sendo, portanto, “qualificado para tratar desta história imediata, com equilíbrio e amplitude de visão”.
Athos nasceu em Porto Nacional (TO) em 20 de novembro de 1946. Ele integrou a ALN (Ação Libertadora Nacional) e participou ativamente do movimento contra a ditadura implantada no Brasil em 1964. Por esse motivo foi perseguido e exilou-se no Chile em 1972, onde assistiu de perto ao ataque perpetrado pelo general Augusto Pinochet contra o Palácio La Moneda, em 11 de setembro de 1973, golpe que matou o presidente eleito democraticamente Salvador Allende.

Asilado político

Junto com outros brasileiros, Athos Pereira buscou asilo na embaixada do México, na capital chilena. De lá, seguiu para a Cidade do México, onde ficou por quatro meses, até obter asilo na Bélgica. Com a Lei da Anistia, voltou ao Brasil em janeiro de 1980.
É um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, tendo integrado a Executiva Nacional do PT. Foi presidente do Diretório Regional do Partido em Goiás no período 1987 a 1989, tendo antes exercido o cargo de tesoureiro e de secretário-geral. Foi candidato a senador Constituinte em 1986, pelo PT de Goiás. Leitor voraz, sobretudo de livros sobre História, Athos era um grande torcedor do Botafogo.
Athos começou a trabalhar na Câmara dos Deputados em 1983, como assessor de gabinete da deputada Irma Passoni (PT-SP). Depois, assessorou Paulo Delgado (PT-MG), Luiz Gushiken (PT-SP) e Jaques Wagner (PT-BA). Em 1987, tornou-se servidor efetivo da Casa.

Mérito Legislativo

Em novembro de 2018, por iniciativa da Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara, por meio do seu então líder, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), Athos Pereira foi indicado para receber a Medalha Mérito Legislativo, maior honraria concedida pela Câmara dos Deputados a personalidades que prestaram relevantes serviços ao País e para o aperfeiçoamento do Parlamento brasileiro.
Ele deixou deixou esposa, Thais Pires, três enteados (Júlia, Camila e Augusto), três filhos do primeiro casamento com Liliana Lemos (Pedro, Joaquim e Maria), mais quatro netos (Valentina, Rodrigo, João Vitor e Clarice).
Do PT Câmara

COMPARTILHE:

Deixe seu comentário

UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

CONTATO

logo xapuri

REVISTA

© 2025 Revista Xapuri — Jornalismo Independente, Popular e de Resistência.