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Websérie: o desmonte da Saúde em meio à pandemia

Websérie: o desmonte da Saúde em meio à pandemia

Por  Natasha Olsen/Ciclo Vivo

Projeto alerta para a precarização do sistema público de saúde no Brasil e seu impacto social, antes e durante a pandemia

Na fila do SUS é uma websérie em formato original com seis episódios, exibidos com exclusividade pela plataforma online Bombozila – responsável pela produção da série, e que disponibiliza gratuitamente mais de 500 documentários de quinze países sobre lutas sociais.

Dirigida pela profissional e pesquisadora em Saúde Pública Ellen Francisco e produzido pela Bombozila, a série retrata os ataques ao SUS em 3 diferentes perspectivas e estados, além do impacto da atual pandemia de Covid-19 nestes diferentes cenários.

Os seis episódios abordam realidades urgentes durante a pandemia e que ganham destaque neste cenário, mas que indicam problemas sociais que vão muito além do quadro provocado pelo novo coronavírus. Os moradores de rua, os povos indígenas e as comunidades nas favelas ganharam episódios exclusivos.

Povos indígenas

Segundo matéria publicada pelo Instituto Socioambiental, o número de indígenas mortos por COVID-19 aumentou quase 45% em dois dias: segundo levantamento independente da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), entre quinta e sexta-feira (08/05) as mortes passaram de 38 para 55 em todo país.

Ainda segundo a Apib, são mais de 220 casos de indígenas contaminados, com 30 povos afetados – o epicentro da epidemia entre os povos indígenas segue no Amazonas. As informações são obtidas com familiares de vítimas, profissionais de saúde, organizações indígenas locais e regionais. Os dados também são agregados às informações da Secretaria Especial de Saúde Indígena e do Ministérios da Saúde.

Infelizmente, como acontece com dados referentes ao restante da populacão brasileira, a estatística oficial é subnotificada entre os índios. De acordo com a Sesai, o número de índios mortos por Covid-19 na sexta-feira era mais de três vezes maior do que o levantado pela Apib, 15 casos, contra os 55 confirmados pela associação.

Defesa do SUS

Para a diretora Ellen Francisco o momento reforça a necessidade explícita da defesa do SUS: “A atual situação da saúde evidenciada pela pandemia de Covid-19 soa como um recado urgente: é necessário promover o debate sobre o desmonte do SUS no Brasil. Em uma situação como a atual isso reforça que a população precisa tomar conhecimento sobre o impacto disso na vida delas”.

“Em tempos onde a necessidade isolamento social é a melhor medida, o documentário de luta social é uma importante ferramenta para a defesa do direito à saúde porque estamos em um momento que faltam leitos, equipamentos, medicamentos, é um cenário extremamente complicado”, pontua Ellen.

Fonte: Envolverde

Foto de capa: Aldeia Yanomami – Survival International

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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