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Dia da Bandeira: “Devolver a bandeira para o povo brasileiro”

Dia da Bandeira: “Devolver a bandeira para o povo brasileiro”

Após vencer as eleições, Lula pretende despolitizar a bandeira do Brasil…

Por Larissa Castro/via Mídia Ninja

Hoje (19) é comemorado nacionalmente o Dia da Bandeira. A data tem o objetivo de homenagear o maior símbolo da república brasileira. A bandeira foi criada por Raimundo Teixeira Mendes, Miguel Lemos, Manuel Pereira Reis e Décio Vilares e apresentada quatro dias após a proclamação da república, que aconteceu no dia 15 de novembro de 1889.

“Devolver a bandeira para o povo brasileiro” é uma das missões de Lula, presidente eleito. Em sua primeira visita à sede de transição do governo,o Centro Cultural Banco do Brasil, Lula declarou que a bandeira e as cores dela são símbolos de toda a população brasileira e que não representam candidatos. A fala foi em referência aos apoiadores e eleitores do presidente Jair Bolsonaro (PL) que utilizaram os símbolos nacionais fortemente durante a campanha eleitoral.

 

 

 

Bolsonaro utilizou como estratégia inserir a bandeira do país a sua imagem política com o intuito conotativo de definir o Brasil como o seu partido, acima de qualquer coisa. O slogan “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos” define esse planejamento que foi bem marcado desde o início da sua campanha política em 2018.

Essa simbologia causada pela bandeira causou proximidade com o público, gerando o sentimento de “patriotismo”. O que fez com que a população criasse um vínculo com Bolsonaro e se sentisse parte dessa arquitetura política elaborada pela extrema direita.

Professor do Departamento de História e Estudos Políticos Internacionais da Universidade de Porto, Manuel Loff, afirma: “é uma apropriação desavergonhada desses símbolos por parte da extrema direita […] Ela cria um confronto, e os símbolos nacionais perdem o significado unificador que pretendem ter”.

Após a derrota nas urnas, bolsonaristas fizeram manifestações por todo o país utilizando a bandeira e roupas nas cores verde e amarela. Na última quinta (15), feriado da Proclamação da República, os eleitores fecharam a Avenida Presidente Vargas no Rio de Janeiro. Os manifestantes defendem uma intervenção militar, o que é antidemocrático e vai contra a Constituição Federal.

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Manifestantes pedem intervenção militar no Rio de Janeiro. Foto: (Reprodução/Redes sociais)

Manifestantes pedem intervenção militar no Rio de Janeiro. Foto: (Reprodução/Redes sociais).
Além dos esforços do presidente eleito, Lula, para despolitizar a bandeira, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lançou um vídeo para promover o uniforme da Seleção para a Copa do Mundo e desassociar o símbolo da política. O objetivo foi se conectar com os torcedores através da paixão pelo futebol e pela camisa da Seleção Brasileira.

“Acredito que a Copa vai ajudar o brasileiro a vestir a camiseta com orgulho de uma seleção formada pelos melhores jogadores, que representam a todos”, diz Solange Ricoy, sócia do grupo de consultoria em branding Alexandria.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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