Economia Inclusiva em tempos de pandemia
❤️ LIVE SOLIDÁRIA ECONOMIA INCLUSIVA EM TEMPOS DE PANDEMIA ⏰ Dia: 16/09, às 21h 📍 Mediação: Iêda Leal 🗣️ Participação: 📌 Thiago da Costa – Estudante de Ciências Econômicas/UFJF. Idealizador do Instagram Economia Inclusiva
Definivitamente, umas das Lives mais emocionantes que já fizemos. Thiago da Costa, um estudante com deficiência, com dificulldade de fala, nos dá uma incrível liçao de perseverança, resistência, renitência e amor pela vida. Impossível não chorar de emoção nesta prosa conduzida por Iêda Leal, coordenadora nacional do Movimento Negro Unificado e conselheira da Revista Xapuri. Vale a pena conferir!

Foto: Reprodução/Internet
Economia Soliária: A microssustentabilidade possível
A economia solidária é [o modelo] que melhor realiza o conceito de sustentabilidade, em direta oposição ao sistema mundialmente imperante. Na verdade, ela sempre existiu na humanidade, pois a solidariedade constitui uma das bases que sustentam as sociedades humanas.
Por Leonardo Boff
Mas já na Primeira Revolução Industrial, na Inglaterra, ela surgiu como reação à superexploração capitalista. Apareceu no final do século XVIII e inícios do século XIX, sob o nome de cooperativismo.
Nesse tipo de economia o centro fulcral é ocupado pelo ser humano e não pelo capital, pelo trabalho como ação criadora e não como mercadoria paga pelo salário, pela solidariedade e não pela competição, pela autogestão democrática e não pela centralização de poder dos patrões, pela melhoria da qualidade de vida e do trabalho e não pela maximalização do lucro, pelo desenvolvimento local, em primeiro lugar e, em seguida, o global.
A economia solidária se apresenta como alternativa à economia capitalista, mais ainda, como uma economia pós-capitalista porque se inscreve dentro da Era do Ecozoico e não apenas no Tecnozoico; é movida pelos ideais éticos de preservação de todo tipo de vida e de criação das condições para o bem-viver de todos.
Ela pode ser entendida, como o faz um de seus teóricos, Paul Singer, “como um jeito de produzir, vender, comprar, consumir e trocar sem explorar, sem querer vantagens e sem destruir a natureza”.
Esse modelo se concretiza mediante as cooperativas de produção e consumo, pelos fundos rotativos de crédito, pelas ecovilas, pelo banco de sementes creoulas, pelas redes de loja de comércio justo e solidário, pela criação de incubadoras de novas tecnologias em articulação com as universidades, ou até pela recuperação de empresas falidas e gestionadas pelos próprios trabalhadores.
Esse modelo não é, nem de longe, hegemônico. Mas ele carrega a semente do futuro. A sociedade mundial, na medida em que mais e mais sente os limites do planeta e percebe a impossibilidade de levar adiante o atual projeto planetário de molde capitalista e até o risco da extinção da espécie, verá neste modelo holístico de economia solidária que integra o humano, o social, o ético, o espiritual e o ambiental, como uma saída salvadora para a história humana.

Leonardo Boff – Ecoteólogo, filósofo e escritor. Escreveu: Brasil: concluir a refundação ou prolongar a dependência, Vozes, 2018; Habitar a Terra: qual o caminho para a fraternidade universal? Vozes, 2021.