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Conheça os espécimens da boiada

Conheça os espécimens da boiada

Via Jair Ferreira no Facebook 

Gado gospel: é aquele sujeito fanático por religião, aquele que de dez palavras, sete são Deus, Jesus ou o presidente, para eles essa é a santíssima trindade. Este tipo de gado acredita piamente que, aquele que não mencionamos, é um enviado de Deus à Terra, o Messias, aquele que acabará com todos os sofrimentos e garantirá a vida eterna.

Gado pitty bull: é aquele marombado, só anda de regata, garrafinha na mão e nunca leu um livro. Sempre teve ódio de tudo, não gosta de ninguém, tem vontade de bater em todos. Aí apareceu um candidato falando tudo o que sempre quiseram ouvir.

Gado viúva da ditadura: São senhores e senhoras que passaram os melhores momentos de sua juventude durante a ditadura e acreditam que aquela alegria se deve aos militares. Foram educados aprendendo sobre os “Grandes vultos do Brasil”, todos militares, claro. Em suma, são aqueles que foram doutrinados durante a ditadura e, é aquilo, domesticou o bezerro, vai ser gado a vida toda!

Gado empresário: eu divido este tipo de gado em duas espécies: 1) o gado empresário “grandes empresas”; e 2) o gado empresário “pequenos negócios”. O gado empresário “grandes empresas” é esperto, ele sabe que lucra com o governo do Helenão, sabe que os trabalhadores perdem direitos, trabalham mais e que não terão de honrar com suas dívidas. Banqueiros, megacomerciantes, donos de redes de restaurantes e especuladores estão neste tipo de gado. O gado empresário “pequenos negócios” acredita mesmo que é um gado “grandes empresas”, é tipo uma crise de identidade. Este tipo de gado não entende que, quando a renda do trabalhador piora, seu pequeno negócio também piora.

Gado negacionista: representada uma grande parte do gado, ele acredita que a China criou o vírus como arma, ele acredita que a Terra é plana, não acredita no aquecimento global, acredita que a covid-19 é um plano da “esquerda globalista”, em suma, se forma através do Olavo de Carvalho e WhatsApp. Ah, com esse gado não tem discussão, eles sabem de uma verdade que só eles sabem, nós é que somos loucos.

Gado nacionalista: tudo dele é verde e amarelo, as redes sociais dele é verde e amarelo, seu carro tem bandeira, sua cueca é verde e amarela, todo post que faz é sobre exaltar a Pátria, a bandeira nacional e “O Brasil acima de todos!”. Não gosta de samba, não gosta de pobre, não toma caipirinha, odeia capoeira, mas ama uma estátua da liberdade, algumas vezes coloca uma na fachada da sua loja. Mas todos nós sabemos que o sonho deste tipo de gado é morar nos Estados Unidos.

Gado enrustido: é aquele gado paz e amor, se diz apartidário, que é isentão e coisa e tal. Compartilha imagens de animais abandonados, vaquinhas virtuais para as quais nunca contribui, mensagens motivacionais e coisa do tipo. Mas, de vez em quando, ele dá uma escorregada e a pata e o rabo de gado aparecem.

Gado híbrido: é o gado que mistura mais de um tipo de gado. Tem gado híbrido que mistura todas as características anteriores.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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